domingo, 22 de janeiro de 2017

Vírus Solitário

Em que rua poderia a minha solidão encontrar a tua?
E como me diria não amar a verdade nua e crua?
Decerto eu confessaria os meus crimes
E quem escutaria senão essa serena amiga lua?
Há bifurcações que chamamos becos sem saída
Olhando assim qualquer caminho é mexer nessa ferida
Resta agora tão letal companheira
A quem chamo de "querida"
Assim me exponho em versos sórdidos sem que tenham uma razão
Me afogando em pensamentos mórbidos que muito desprezam compaixão
E quando eu não me destruir
Um terceiro assim fará
Mesmo tentando suprimir
É guerra que não posso ganhar
E quando o brilho se extinguir
Algo belo tomará o seu lugar
Barganha justa se dá agora
Dou-lhe dor de imediato
Sofrerá até a aurora em decorrência deste ato
Mas lhe poupo de mais tarde
Ter de pensar que um fogo arde
Não terás mais dor contínua
Será uma cicatriz cheia de lembranças
Mas acompanha a liberdade.
(Machado. Marco)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Contínuo

É só olhar e constatar que é pra você
O ar que eu respiro
Cada trago de suspiro
Não é difícil de notar
Se você pudesse observar
Que nunca deixei de te amar
Mas existe uma cegueira
Provocada por ardores
Paixões, espinhos e flores
Que sempre acaba por me excluir da sua vida
E sempre me faz reviver a dor da sua partida
Sua ausência dói a todo momento, meu tormento
E nem mesmo a sua presença me traz algum fomento
Pois nem precisas de mim
Do modo como preciso apenas te olhar
Para ser capaz de aguentar
Todo o lixo que tenho à carregar
Não sou desejado em teus braços
Isso parte-me sempre ao meio
Pois está em todos os meus sonhos
Dou continuidade aos mais profundos devaneios
(Machado. Marco)