quinta-feira, 27 de abril de 2017

Talvez, Percepção.

Há quanto tempo estou aqui?
Eu sinto que me perdi
Mas não poderia afirmar
E se eu gritar quem vai escutar?
Está tudo tão escuro
Eu me sinto tão impuro
Acho que passamos do prazo
Tanta vitalidade foi um grande atraso
Acabei chorando sozinho na penumbra
Acabei fazendo dela a minha tumba
Aquele momento de alegria foi um erro
Não é certo em meu desterro
Eu que vivo aceitando migalhas
Secando suor nessas toalhas
Guardando palavras salva-vidas
Que por vaidade foram proferidas
Mas que me mantém abrindo feridas
Deixando a carne viva, elas que não foram esquecidas
Eu que fico querendo resquícios
Assim que te ver é meu ofício
E é você
Você que nem ao menos enxerga o mundo destruído
Mas vem vilipendiar um coração puído
Como está agora em tão conceituado pendor?
Amarga maldição de admirar a mais bela flor
Veja por este aspecto
Talvez tudo isso nem exista
Mesmo insistindo nessa pista
Talvez eu não esteja correto.
(Machado. Marco)

terça-feira, 4 de abril de 2017

Maior Abandonado

Não me olhe assim
O que eu tinha você já tirou de mim
O que eu era já se perdeu enfim
Então me deixe aqui
Eu já sou apenas uma lembrança
Por vezes aquela que faz você sorrir
Aí talvez eu ainda esteja vivo
Seria esta a verdade da qual me esquivo
Então me descarte como fez com as flores de qualquer jardim
Mas por favor
Só não me olhe assim.
(Machado. Marco)