Ao pôr do sol dormem os versos de amor
É que a noite fria não guarda seu calor
E a lua solitária não escuta teu clamor
De frase solta tão vulgar
Vê tristeza até na onda do mar
Que se joga contra o rochedo
Esperando a dor passar
Nenhuma alegria é similar
Alegra e enraivece sem alternar
Já não é mais forte e decidido
Só faz o possível para suportar
E se não fosse a inexplicável comoção
Adiaria seu sentir sem pestanejar
Não existem filtros para a solidão
Nenhuma maravilha tecnológica de compensação
Ou a rejeita inconsciente
Ou acolhe-a dentro do coração.
(MACHADO, Marco)