Pra ver meu sangue derramado voce ja confirmou presença
Ja que enxerga a prosperidade do país no final da minha existência
Que meus assassinos saibam que ainda respiro
O tiro no meu peito não calou a minha voz
Pois ela grita em unissono e com amor de todos nós
E que meus assassinos saibam que ainda respiro
E ja nas filas ascendentes da miséria
Teu soslaio corruptível de ódio ainda impera
Mas nenhum passo para tras me coage a fera
Que meus assassinos saibam que ainda respiro
Meu direito a vida foi roubado
Contestado, problematizado e relativizado
O perigo em que habito foi justificado
Mas isso tampouco me fará ficar calado
Por isso que meus assassinos saibam que ainda respiro
Por ora ou por aparelho
Embaçando minha imagem no espelho
Nem sentir a graça que tinha em vê-lo
São as forças que concebi ao descobrir por concebe-lo
As mesmas que pensei ter perdido ao pensar em perde-lo
Mas aos incautos a quem com palavras miro
Que meus assassinos saibam que ainda respiro
(Machado, Marco)
sexta-feira, 19 de outubro de 2018
Aos Meus Assassinos
terça-feira, 2 de outubro de 2018
Jogos De Guerra
Jogos de guerra que queremos aprender
História pronta que me nego por prazer
É tão mais fácil ver meus erros em você
Mas não me obrigue a assumi-los sem querer
São os meus erros, as minhas brechas morais
Mas não são nada, mas não são nada demais
E invés de vê-los, problemas tão cruciais
Vou defendê-los, ataques tão racionais
Sobre a verdade também não sei dizer
Se na verdade não há o que fazer
Nesse embate foi o amor que se tornou
Meia verdade, arma branca e muita dor
Nesse jogo a pós-verdade, palavra popular
Julga de promiscuidade toda forma de amar
Fala dentro de uma bolha
"Tudo é questão de escolha"
Mas aquela do lado errado da porta
Por direito natural amanhã estará morta
Mas esqueçamos toda forma de poder
Esta na hora de viver e não de aprender
Para que se importar com essa insensatez?
Se na verdade a Angra é dos reis.
(MACHADO. Marco)