quarta-feira, 27 de novembro de 2019
L041 - O Guichê
segunda-feira, 30 de setembro de 2019
Só sei o que sei
Antes de tudo eu sou
Depois de tudo que sei
Sabendo o que posso ser
Sem saber se um dia serei
Se fosse tão fácil saber
Seria tão triste sonhar
Eu saberia que sou
Tudo o que não quero me tornar
Mas eu não sei
Não sei o que deveria saber
Nem sei o que quero fazer
Não sei como dizer
Nem mesmo se quero saber
Só sei que sabendo o que sei
Sinto saudade do não
Sinto saudade do ter
Não sinto saudade de mim
Tanto quanto sinto de você
(MACHADO. Marco)
Meu Broto
Em 1976 meu broto nascia. Lindo e tenro como um broto geralmente se apresenta ao mundo.
Em 1980 meu broto crescia. Lindo e forte como brotos de raízes bem nascidas
Em 1988 meu broto ja começava a florescer, dando ao mundo um brilho muito mais especial.
Em 1994 meu broto já era crescidinho e exalava certa imponência com sua frondosa frente fresca
Em 2000 meu broto me apareceu na frente da sorveteria, foi o começo do nosso grande amor
Em 2001 meu broto me jurava amor eterno, que eu respondia com promessas de que o infinito seria uma piscadela diante da nossa eternidade.
Em 2004 nada era capaz de abalar o nosso amor, eu e meu broto eramos tão felizes...
Mas em 2005 meu broto fugiu de mim numa combi colorida, cheia de brotos tão cheirosos quanto ela.
Meu broto havia achado alguém melhor para regar-lhe o coração, mais jovem e mais solto e com tranças de conquistar qualquer broto infeliz.
A combi subiu a serra ainda em 2005, levou meu broto e tantos outros, e eu fiquei aqui, vivendo entre as folhas secas e a terra morta, o meu jardim morreu comigo no dia em que meu broto me deixou.
(MACHADO. Marco)
sexta-feira, 6 de setembro de 2019
Pintura Incolor
Eu trouxe pelo caminho
Cigarros e goles de vinho
Saudades e desilusões
Andando a esmo sozinho
Eu vi nas ruas e nos barracões
Vontades e procrastinações
Fazendo a fila pro pão
Querendo quebrar os grilhões
"E que tudo mais vá pro inferno"
Me disse na lua do inverno
Não sentiu nem o mormaço
Da chama do fogo eterno
Quando lá eu estive a viver
No embraço daquele querer
Eu chamei pelo nada de hoje
Que hoje eu fujo de ter
E você? E você?
E hoje no abismo soterrador
Do frio, da apatia e da dor
Espero pela primavera
Da morte a distância do amor
(MACHADO. Marco)
quinta-feira, 29 de agosto de 2019
O Que Penso Sobre Ontem
Meu igual tão diferente
Animal inconsequente
Diz que sofre pela tarde
Sob a luz da lua mente
Sofro tanto de pesar
Sofro só de pensar
Depois penso em sofrer
Penso que nunca mais
Pensarei em te querer
Minha carne delinquente
Penso em outro remetente
A que dizia sorridente
Somos um só ascendente
Que saudade desse tempo
Tempos de viver a consequência
Nunca sentir tanto a tua ausência
Tudo foi de tão efêmero
E hoje penso nela com frequência
(MACHADO. Marco)
domingo, 25 de agosto de 2019
Não Tenho Mais Idade
Igualdade como imbecilidade
Digo logo que não tenho mais idade
Volto então à liberdade
Penso nela com saudade
Jovens com tendência à lealdade
Do silencio a obscenidade
Os inimigos de verdade
Destilando sua maldade
Falta alguma faculdade
Não significam a amizade
A lei provida por vontade
Mata a gente toda tarde
Paciencia é raridade
Ódio sensatez e até virilidade
Meu cansaço não é novidade
E em cada nova atrocidade
Digo logo que não tenho mais idade.
(MACHADO. Marco)
sexta-feira, 23 de agosto de 2019
Se o Mundo Pudesse Voltar a Ser Como Antes
"SE O MUNDO PUDESSE voltar a ser como era, o que falaria?", - nada!, nem o saberia como encara-lo. Senti-me-ia um telespectador que assiste um filme a quem tem saudades eternas, mas que não participa da finitude de seu enredo, não como da primeira vez. Se o mundo pudesse voltar a ser como era, só ele poderia realizar tal façanha, eu não, não sou capaz de ser outro que já fui ou que pretendia ser. Ficarei aqui imoveu assistindo aos instantes que talvez até tenha vivido em outras vidas. Serei lagarta a quem fazem acreditar que será borboleta, ou serei borboleta a quem de lagarta não ousa, a quem lagarta não passa de um sonho feio e incomodo. Não... Estou bem aqui. Se o mundo pudesse voltar a ser como era, que pudesse para outro, para mim não! chega desses joguinhos de se pudesses. Deixe-me enfrentar as coisas como elas são, que se movimentam a torto que é direito. Gosto de fazer parte dos seus encantos e de ser perene para quem os outros chamam de eterno o contrario estupido. Sou eu quem está aqui neste instante tecendo estas palavras frágeis que te atingem o coração como que flechas envenenadas de devir. Sim, deixa-as no peito e não sonhas mais com os sonhos dos que cobiçam o passado entre artimanhas e ebriedades. Termine este verso e espreguice-se para trás da cadeira e veja a vida que se passa, e eu... que me vou.
(CAMPOS. Thiago)
terça-feira, 20 de agosto de 2019
Fundo Prévio
Eu era um tanto distinto
Agora um tanto distante
Eu já estive faminto
Também estive falante
Andei na beira do mar
Dias de sol e emoção
Hoje nem mesa de bar
Só quarto e escuridão
Já planejei o futuro
Já inventei um amor
Já evitei ser tão duro
Já imaginei teu calor
Agora não faço mais planos
Não faço mais prece
Não causo mais danos
A quem não merece
Agora estou resoluto
Tomei minha decisão
Você prepara o seu luto
E eu minha rendição
(MACHADO. Marco)
Alguém Importante
Eu não sou parte de nada
Não faço parte de nada
Não entro em grupo pra nada
Não sou alguém importante
Eu não sirvo pra nada
Também não presto pra nada
Eu não sou útil pra nada
Também não tenho um amante
Minhas escolhas não me levam a nada
Eu não mando em nada
Eu não sou chefe de nada
Sou errado e errante
Minhas palavras não servem pra nada
Ninguém as usa pra nada
Não são motivo de nada
Imagine o quanto é frustrante
Mas eu também não me importo com nada
Não tenho saco pra nada
Não me interesso por nada
Um clichê desinteressante
Então sabendo que sou parte do nada
Que eu volte pro nada
Pois pelo menos no nada
Eu sou alguém importante
(MACHADO. Marco)
segunda-feira, 19 de agosto de 2019
Lá e aqui
Onde me vejo não pertenço
Falta de amor, o corpo tenso
De onde eu vim é diferente
Não faço parte dessa gente
Ainda que eu tente
Não sera suficiente
De onde eu vim não sou de lá
Por lá não posso me encontrar
Lá é tão longe quanto aqui
De onde eu tive de partir
Idas e vindas sufocantes
Partidas e chegadas consternantes
Aqui não encontro diamantes
Lá não é mais como antes
E eu que fui e permaneço
Sempre um estranho endereço
Perdendo o caminho
Voltando sozinho
Não faço parte
Não me descarte
Procuro outro pra ir
E vou sem me despedir.
(MACHADO. Marco)
sábado, 17 de agosto de 2019
Parapeito
"EXUBERANTE"... Essa era a única palavra que, similar à estalos, fazia pequenos barulhos pôr toda a minha cabeça. Do parapeito, no quarto andar, só podia comtemplar aquela visão deslumbrante do pôr-do-sol. Aos poucos os contornos da serra, ao longe, ganhavam destaque, tornando-se de uma lembrança esvaiecida, à uma impotente e colossal montanha. O azul celeste e laranja incendeiam completamente o céu, neste momento vejo passáros cruzando a tela de um lado ao outro. Alguns carros já passam de faroís acesos, e o barulho pouco a pouco se mistura aos meus pensamentos. As poucas luzes que se estendem no horizonte, como um velho tapete, vão-se iluminando uma a uma, essa imagem me faz lembrar uma orquesta e até penso ouvir umas poucas notas. Por fim, acendo um cigarro e me despeço daquela visão magnífica, mas não antes de pronunciar uma última vez: "Exuberante...".
(CAMPOS. Thiago)
sábado, 10 de agosto de 2019
Contrato
Simples, antigo
Piscina rasa
Copo meio cheio
Meio vazio
Tive tudo no dia certo
Um segundo e eu ja havia perdido
Eu poderia até chorar
Mas de que adiantaria?
Eu ainda sou indiscutivelmente eu mesmo
Sem talento para deixar o rio me refletir
Inocente e incrédulo
Me formei na tirania do mais fraco
Ao menos isso aprendi
Sei me contentar com o não
E não posso pedir nada mais pacífico
Eu sou apenas o resto do que sobrou
Mas ja fiz algumas boas atuações
Não vou sangrar teus lençóis
Eu sei que você não esta lá
Minhas aspirações são exatamente
O valor de uma moeda em desuso.
(MACHADO. Marco)
Onde foi João?
Onde foi João?
Onde foi que você perdeu sua importância?
Ninguém pareceu se importar muito quando você se enforcou na capa do violão, antes mesmo de tomar o último banho.
Onde foi João?
Tinha gente dormindo na sala, com a televisão ligada na cena triste da novela. Ninguém reparou a cena que você fazia entre as quatro paredes do teu quarto, eles não gostavam de passar mais tempo que o necessário naquele quarto que cheirava a comida velha, mofo e água salgada.
Nesse quarto agora a tua mãe passa a maior parte do tempo João, deitada na posição fetal, abraçando uma camisa tua e encharcando teu travesseiro
Ela que encontrou teu corpo sabia João?
Pendurado pelo pescoço na viga do teto...
Um teto sem forro e um corpo sem vida.
Teu pai anda olhando os cantos da casa agora, parece estar sempre te procurando, talvez pensando que você volta depois de mais esse showzinho do fim de semana, mas você nunca mais chega
Onde foi João?
quarta-feira, 7 de agosto de 2019
Se foi um dia
Quando eu sentia deslizar sobre o meu corpo
Aquele toque afável
Aquela voz tão inflamável
Aquele limbo de loucura inenarrável
Nada mais no mundo me faltava
Tudo que um dia eu quis em mim se projetava
Toda dor de mim desvencilhava
E o amor que havia em mim não se calculava
Eu fui teu em objeto
Vontade de consumo
Só não alcancei teu eu direto
Tua alma suprassumo
Mais um pouco do que tu faria
Certamente me enlouqueceria
Como fiz tudo de novo
Por me dizer eu novamemte viveria
(MACHADO. Marco)
sábado, 3 de agosto de 2019
Embarcação dos Amantes Solitários
Essa dor que me atravessa
E me faz querer chorar
Esse amor que não tem pressa
Satisfaço-me em te olhar
Minha respiração ofegante
No meu peito retumbante
Tenho sonhos mais que lúcidos
Onde sou o seu amante
Minha mão úmida fechada
Indignamente calejada
Faz o teu sorriso mais bonito
Ser meu ponto de largada
Cenas de fundo verde
Se misturam com a verdade
O teu rosto na parede
Mata a minha liberdade
Ao som dos tiros no horizonte
Tens o amor de minha fonte
Abala em mim a bala ao peito
Pois não queres que eu te conte
Morri de esperanças nesse front
Agora junto dos desafortunados
Embarcados no suplício de Caronte.
(MACHADO. Marco)
terça-feira, 30 de julho de 2019
Incompleto
Foi e não volta mais
Com sua sede de ganhar o mundo
E não pensou nem por um segundo
Que a escada que te leva
É o braço que te segura
Que nada conta nessa selva
Sem a erva que te cura
Tudo vai e você fica
Uma fala, um olhar ou um abraço
Só por ser você complica
Freud explica!
Como vai viver sem mim, sem ela ou sem ninguém?
Não pode e me trata com desdém
Teu amigo e teu cumplíce
Agora quer que te suplique
Seja o amor que me inferiu
Já és o machado que me partiu
O mundo pouca culpa tem
Do profundo que te fez refém
Meu sorriso mais sincero não compra tua miséria
Te desfaço em ócio por não ser tua matéria
Não sei ainda o que te falta
Mas queria descobrir
Pois o que te falta é o que me mata
É o único incompleto que não pode rir.
(MACHADO. Marco)
Campo Minado
Você que é o calor e o frio
Se alternando em desmedidas
De facetas mais de mil
Confundindo nossas vidas
É e não mais logo depois
Vá! Deixe me entrar porque aqui fora é dor que não vai se acabar
No dia mais frio sinto teu acalento
Nos de calor me mata por dentro
Sem derramar uma lágrima cristaliza-me por querer
enquanto doa tua vida em outra esquina
Em outro cigarro, em outra menina
Em outro dia sem viver.
Que fazes pensar que sou teu bomerangue?
Teu destilado tem o sabor do meu sangue
Me quer e depois me jogar fora
Por saber que voltarei pra ti a qualquer hora
Atina a dor dessa lógica
Me dê o mundo à tua ótica
Antes mesmo de me receber
Já deu o adeus que fiz por merecer
Adeus então
Fique!
(MACHADO. Marco)
segunda-feira, 29 de julho de 2019
Monólogo Sobre a Injustiça I
O que é injustiça? Como identificar a injustiça? Ela é constante ou relativa?
Eu vou morrer hoje. Fui sentenciado a morrer hoje.
Vou morrer hoje por ter matado alguém que não merecia ser morto por mim ontem.
Exceto que ontem eu não matei a pessoa que apodrece nesse exato momento aparentemente vítima do crime que eu não cometi.
Qual a medida da injustiça?
Os olhos serenos dele engariam a quem quer que fosse.
Mas sua boca seria incapaz de causar injustiça a quem quer que fosse... muito menos a mim, seu leal amante... até o último suspiro e troca de olhares
Mas o que é a injustiça?
Outras bocas me desejam a justiça
"Que se faça justiça sobre esse preto desgraçado"
O martelo da justiça se projeta sobre mim e eu vou morrer hoje
Terá sido injusto roubar-lhe o último beijo antes que a asfixia lhe roubasse o último suspiro?
Não que isso me importe, pff... "o que significa justiça?"...
Eu vou morrer hoje.
(MACHADO. Marco)
sexta-feira, 26 de julho de 2019
Amor e Crime
Não lhe direi para que tenha coragem
Eu sinto medo e estou à margem
Dor e ódio de mim mesmo
Culpo o amor por andar a esmo
Tristeza e desespero sentimentos sem fim
Por nunca poder lhe dar o melhor que há em mim
A que demônio sela a paixão?
Ou se apossessa meu coração
Já se tornou uma prática tão normal
Alvejar o teu amante tão leal
Já teu assassino não mais perto de vulgar
Beija-te o menino e em seus braços de pecado a embalar
Que coragem se nos resta para dar-se ao amor?
Enche os olhos a miragem dessa festa em tal calor
E direi como teu pincel em folha
"Ora, ora mas que boa escolha"
Depois disso não há mais o que perder
Se qualquer valor não vai preencher o vazio de não ter o meu motivo de viver
Ah meu coração desata a chorar
Cometi o mais vil crime de amar
Fui condenado a pena máxima
Por ter deixado você me matar
(MACHADO. Marco)
quinta-feira, 25 de julho de 2019
Jardim Dos Afogados
Um aperto no peito
Tão jovem quanto eu
Quando penso em você
Deito em meu leito
Só vem olhos seus
Me sinto morrer
Tanta vida lá fora
Tantos motivos
Mas estou preso
Onde voce mora
Entre os mortos-vivos
Quatro dias são nada
Sem seu perfume de flor
Viro jardim sem cor
Sinto no peito a facada
Hoje não mais me abalo
Se o amor pisa no meu calo
Sinto medo no jardim
Dessa flor eu quebro o talo
Entre ir e não ir
Ainda não cansei de sentir
Sei que não sou feliz
Mas ainda consigo sorrir.
(MACHADO. Marco)
segunda-feira, 15 de julho de 2019
Talismã
Se o sol não brilhar amanhã
A lua terá sido a guardiã
Fez da noite a memória no meu talismã
Aquecerá mais que qualquer peça de lã
Tão mais doce que qualquer romã
No caminho sob sua luz estrelada
Passo lento mente alada
Tão sozinha e tão calada
Voa longe e desacompanhada
Volta aos raios mais intensos
As bebidas mais baratas
Os abraços mais sinceros
Os sorrisos mais imensos
E depois de cada refeição
Um cigarro neblina o coração
Trazendo à tona a roda viva
Da luz que escuridão me priva
Hoje não são mais do que memórias
Registros eternos daquelas histórias.
(MACHADO. Marco)
Ao Meu Amigo: Leão Marinho
Leão Marinho
Você é meu amiguinho
E seu macarrão
É até bem gostosinho
Leão Marinho
Você é meu amiguinho
A gente faz o rock
Você bola um fininho
Leão Marinho
Você é meu amiguinho
E se você ficar pra baixo
Eu também fico tristinho
Leão Marinho
Você é meu amiguinho
A gente compra as drogas
Pra ninguém usar sozinho
Leão Marinho
Gostamos daquela mulher
E não por causa do vinho
Leão Marinho
Você meu amiguinho
E por mim nós fumaríamos
Até o final desse caminho.
(MACHADO. Marco)
quinta-feira, 11 de julho de 2019
Procura-se Novo Amor
Vou procurar um novo amor
Pra esquecer a dor que você me causou
Um novo amor vou procurar
Pra sentir essa saudade acalmar
Vou procurar um amor novo
Pois no seu coração eu sou estorvo
O amor de novo procurar eu vou
Pois me perdi nos seus olhos e já não sei onde eu estou
Vou procurar um novo amor
E se por acaso eu encontrar
Vou a ele, completamente me entregar
Um novo amor vou procurar
E se me bater saudade de você
Que não era amor eu vou saber
Vou procurar um amor novo
E se ele me lembrar do seu sorriso
Não vou mais considerar o paraíso
O amor de novo procurar eu vou
E se acaso eu não encontrar
Voltarei a amar o seu olhar
Mas te prometo meu bem
Por causa do seu desdém
Vou procurar um novo amor.
(MACHADO. Marco)
quarta-feira, 10 de julho de 2019
Se
Mais um ponto fictício nessa colcha de retalhos
Mais um passo ao precipício, paraíso de entalhos
Falta ar durante a queda
Falta chão no baque seco
Se pudesse recriar acordos, qual você recriaria?
Por tantas regras se sentir tamanha porcaria
Não somos libertos dos próprios desejos
E não há pior prisão sempre pronta à seus ensejos
Todas as possibilidades se anulam de uma vez
Todas formas de amar acumulam invalidez
Se a dor não fosse consequência, como seria a sua vida?
Talvez igual em penitência, talvez gostasse da partida
O conhecimento é realmente uma faca de dois gumes
Fere e cauteriza em uníssono
E se você pudesse ser feliz plenamente
Mentiria ser quem foi previamente?
Seus lábios contam histórias
O seu corpo nunca mente
(MACHADO. Marco)
terça-feira, 9 de julho de 2019
Chuva de Desencontros
Te encontro na escadaria escaldante ao sol de meio dia
Sinto teu cheio nas páginas dos livros que devoro com uma rapidez libidinosa
Vejo você passar pelas ruas deixando rastros de amargura
Me apego à pratica de repetir seu nome pra mim mesmo na isolada segurança do meu quarto de retalhos
Retalhos de sonhos abandonados, porém nunca esquecidos
Jazendo sob a sola dos meus pés cada vez que me levanto da cama me esforçando para não ceder ao desespero e conseguir pegar um copo d'agua na cozinha.
Cada vez que te repito o meu peito incha como um baiacu amedrontado, não se contendo em si por estar tão apertado.
E quando o mundo se encaixa em sua órbita você me surge como o sol
Sorridente, solitário sol nascente
Minha garganta arranha e asfixia ao engolir todas as juras de amor que fiz ti quando fui ao inferno.
E quado você falou eu fui Amélia
Quando você chorou fui sal
Quando você ficou eu tive de partir
Partiu meu coração ver você ali
Porque quando vi você eu me apaixonei.
(MACHADO. Marco)
O Final da Luz
As memórias doces precedem as sombras eternas do final do entardecer
Depois dela só me presto às esperanças mortas do que nunca pôde ser
A paisagem gradeada me remete a esse bem querer
E que mais há, nesse oceano de saudade, que me lembra alguém que não você?
Me vejo um tolo, um jovem tolo que ocupa os devaneios mais sinceros com promessas de amor eterno
Mas que ambição me restará frente a razão que me propõe realidade?
Não há embate real nessa ilusão em que se envolve a mocidade
O que me sobra são estes maços de cigarros me embalando o pensamento
Pra viver o amanhã, hoje, em noite de crime, amarro forte o sentimento
Os dias continuarão a passar nessa triste monotonia, tenho certeza
E eu permanecerei dançando essa dilacerante cacofonia, minha tristeza.
(MACHADO. Marco)
segunda-feira, 8 de julho de 2019
O Baile das Máscaras Abertas
Que tragédia sobre mim se abate
Abraço-a para que me mate
Pura verdade, a quem afetaste?
Os meus olhos denunciam teu contraste
Assim fecho-os aos que podem ver
Decido que nem eu e nem ninguém deve me ter
Mesmo que assim ja tenha
Sou mesmo tão incontrolável quanto as brasas de um fogão a lenha
Mas que poderosa arma vil
A mais fatal dentre outras mil
Me entregou e me despiu
Mas meu grito de socorro ninguém ouviu
Aqui jaz minha esperança
Morta jovem como uma criança
Que é destruída aos beijos e abraços pelo ritmo da dança
Seu vazio é preenchido de imagens
Pinturas, memórias e paisagens
Sem se ver assim o transbordar de suas margens
Afogado no oceano daquelas viagens
O golpe final é ainda mais sangrento
Mascara sutilmente o desespero violento
Voltemos então aos beijos, abraços e aos sabores soberbos da ambrosia
Transformando toda dor em poesia.
(MACHADO. Marco)
sexta-feira, 5 de julho de 2019
Suspensão
Abandonei o que sinto e não deixei de sentir
Apenas não posso evitar enquanto eu existir
O troco uma troca injusta há de vir
A moeda que não suprimiu o que eu quis suprimir
Existe no hoje, no amanhã e no ontem
Existe para sempre, por mais que me desmontem
E como um segredo vergonhoso será
Por mais que eles demonstrem
Não me sinto em estupor
Não é novo todo e qualquer horror
Por milênios a fio
Danço a valsa dessa dor
De cá nem quero nada
Conheço o fim dessa estrada
De cá só quero a escuridão
Nela recrio o melhor da solidão
(MACHADO. Marco)
segunda-feira, 1 de julho de 2019
A Última Parte de Ti
Me perdi entre o teu espírito e o meu
Efeito de um vinho barato que ninguem me prometeu
Eu viajei por entre mundos e estrelas
E em nenhum deles eu vi o sorriso que só você me deu
Que angústia é te ver assim tão longe
Se tanto te procuro e não sei onde
Numa casa cheia de desejos
Ou no templo de algum monge
Tuas linhas desembaraçadas viverão no meu pescoço
Da lembrança do enlaço desse moço
Das palavras que acalmavam qualquer tipo de alvoroço
Por elas vivo, canto, vivo e torço
Mas que sina me tens nessa espera nada terna
Se sei que esse coração não é mais que assunto de taverna
Êxtase utópico de uma primevera eterna
Mas nem assim esqueço o cheiro doce
Que poder tem sobre mim quem quer que fosse?
Nao dissocia minha mente a tua tez
Dou a vida para ter mais uma vez.
Não sei quanto de ti um dia mereci
Meu tesouro e minha tragédia
Eu nunca te esqueci.
Eu nunca te esqueci.
(MACHADO. Marco)
domingo, 30 de junho de 2019
De Volta à Caverna
Ainda que os pássaros cantem a mais bela sinfonia
Ainda que as cores irradiem das flores com maestria
Sem te ver meu mundo não tem alegria
Quem você pensa que é pra me fazer tão bem?
Chega sem se doar e já não posso mais viver sem
Como ousa me fazer esquecer minha dor?
Eu não aprendi a viver sem ela
Aí você chega e me mostra o que é o amor
Eu não aprendi a lidar com as coisas belas
Por conseguinte me sinto perdido
Agora ainda mais do que antes
Vejo luzes que nunca tinham existido
As vezes extremamente vibrantes.
Me incomoda este novo mundo
Ja que é apenas uma nova ilusão
Sou nativo do silencio oriundo
Meus olhos só enxergam na escuridão
Na verdade as cores em volta de ti nada expressam
Das esperanças que em pedaços parti nada me restam
Deixe-me agora voltar à caverna
Onde meu espírito pra sempre hiberna
Lá não existe ilusão que me apeteça os olhos ou o coração
O verdadeiro frio do vazio dói bem menos que abandonar a razão
Nunca mais me dê a mão.
(MACHADO. Marco)
sexta-feira, 28 de junho de 2019
Noite Adentro
Noite adentro e o meu intento é o acalento
Um tormento denuncia sob a força desse vento que de culpa não estou isento
Ontem estive embriagado
Hoje ando em passos lentos
Minha força de vontade não é mais que um porcento
E quanto mais eu tento mais penetrante torna-se o barulho desse silencio tão lamuriento
Me pergunto quanto mais desse veneno eu ainda aguento
Dói-me tanto o peito que beira o sangramento
Dor pra qual curandeiro algum possui unguento
Só me restar afundar então nesse oceano lamacento aonde jaz meus sentimentos
E o som suave das cordas tencionadas
Poetizam meu lamento.
Eu lamento.
(MACHADO. Marco)
Tabuleiro de Dédalo
O jogo da resignação
Padece e acalma o coração
Nos olhos que não te refletem
Tem tudo o que os meus querem dizer
Um salto do abismo à segurança de expressar um grande querer
Um silêncio e um sorriso
Uma solidão e um risco
Arriscado me convencer de que não é tudo em vão
Pois um coração que ainda bate costuma gostar de se iludir entre a lua e a paixão
Se alçares vôo saiba
O sol queimará tuas asas
E quantas quedas tua irracionalidade ainda pode suportar?
Até quando ainda restar algo por que vale a caminhada
Mais cansado irá voltar para longe da linha de chegada
Consequência da ilusão
A derrota de uma vida
E recomeça outra partida
No jogo da resignação.
(MACHADO. Marco)
segunda-feira, 17 de junho de 2019
Perdido
E quando a luz no fim do túnel se apaga?
Tem alguém que vai lhe ajudar?
Quando a essência do seu ser se transforma em dor e mágoa
Quem é que vai te consolar?
Quando o mundo desmorona sobre sua cabeça
A realidade irrefreável, cruel e imutável
Nada muda e nada para caso você pereça
Estamos completamente sós
Perdidos na escuridão de milhares de faróis
Com medo de seguir adiante
Receio de aceitar que ja foi o bastante
Não o suficiente
Não consciente
(MACHADO. Marco)
segunda-feira, 10 de junho de 2019
Incômodo
O que me incomoda é a beleza das flores
A claridade e calmaria de um dia ensolarado
Os amantes envolvidos em beijos apaixonados
O que me incomoda é o sorriso de prazer que surge nos rostos dos que se aprazem de pequenos prazeres
Me incomoda que tenham certeza do que dizem
O que me incomoda é o afeto nas palavras que me dirigem os dias cinzas
Ou os abraços amorosos no dia em que comemoram minha tragédia
Me incomoda parecer que eu, apenas eu, penso na morte com a frequência de batimentos cardíacos
Pois me parece assim... que apenas me parece
Me incomoda que constantes vozes proclamem poesias estonteantes expressando a beleza da vida
Me incomoda não saber o que elas sabem
Não conhecer seus segredos nem compartilhar suas percepções
Me incomoda esse prazer de não saber
De ficar bem ao pensar que fico bem as vezes
Me incomoda descobrir que nada me incomoda
(MACHADO. Marco)
quarta-feira, 8 de maio de 2019
Sorte Puro Maltz
Que sorte a minha
Ter entrado na cozinha
Feito o lar de manhãzinha
Boa noite mamãezinha
Que sorte a minha
Ter olhado a minha cruz
Engastada àquela luz
Pois foi assim que me propus
Me acomodar naquele rede
E lhe entregar os versos meus
Eu tive a sorte do acaso
De você ler o meu caso
Me estendeu a mão do abraço
E nos apegamos à este laço
Tão instantâneo quanto bom
Tão espontâneo quanto um dom
Espero te ver e tocar
Sentir teu abraçar
O físico
Pois meu coração ja conquistou ao conversar
(Machado. Marco)
terça-feira, 23 de abril de 2019
Impermeável
Facas no abismo
Não machucam o meu cinismo
E todo dia novamente
Com a cara mais lavada do mundo
Eu volto menos profundo
Sempre sorridente
Tiros no escuro
Não me afetam como antes
De braços sempre dados
Nem falsetes embalados
Se a dor for tua amiga e acompanhante
Ja terás te acostumado
Pago o meu esforço de fugir
E o teu é um suave coagir
Lindo de se ver
Terrível de se ter
Experiência dita
Essa cerveja quente e amarga
São os sentimentos que guardo
Muito melhor senti-los dolorosamente
Do que simplesmente não conhece-los...
Foi o que disseram.
Eu mesmo ja não me lembro de como era a vida antes de você
Faz tempo que não sei o que é não sofrer.
(MACHADO. Marco)