Autóctone sou
Sem ermo vagando
Nem beira de terra
Ardores lascivos me dou
Aos picos parando
Em prantos me encerra
Decerto em tiro me vou
Dos polos nada levando
Me perco de novo na serra
Atina quem sou
Na retina dançando
Madre polén sou eu
No corno entoa o que é meu
Até onde passou
Entorna até onde morreu.
(Machado. Marco)
Jogral Sem Identidade
domingo, 11 de novembro de 2018
Madre Pólen
quarta-feira, 7 de novembro de 2018
Vida Líiquida
A vida não é mais vida
Não é mais vívida
Mesmo o preto no branco
Ou o branco no preto
Em poesia eram dueto
Hoje se há cianureto
É avanço secreto
Tem se esvaido de todos os lados
E só ficam sofriementos pulmonados
Escolhidos a dedo
Nem ao menos invejo afortunados
Prazeres levemente tencionados
Agora são finalizados
A vilania então se me apresenta
Sem pensar me representa
Acalentam a razão em 8 de 80
Decerto nao relevo tal ferramenta
Mas em que vestimenta se avilta o pensamento?
Que vil placenta é esta que envolve o discernimento?
Certamente que não queria ver maldade em mim
Tanta culpa que se sugere a terceiros sem fim
Foi mesmo eu o bastião deste crepúsculo.
(MACHADO, Marco.)
quinta-feira, 1 de novembro de 2018
Perigos Coloridos
Ante a morte declarada
Alivio minha dor na espalda
Quem me cega ja não vê bondade em mim
Ou nas ruas de barulhos tenebrosos
E de longe, nem de longe se vê luz no fim do túnel
Pois esta, ja ultrapassada, foi clareira de mais uma paixão, não aurora.
Não-Aurora diga-me agora
Em quantos pedaços pretendia dividir meu coração?
De La Liste a My Apocalipse
Quantos tons pretendiam vestir-me de ilusão?
Que passo obsoleto insistiram minhas paixões em dar
Como quem conhece o que não é e mesmo assim o quer
Que tolice apaixonada meu amigo
Mesmo com todos os avisos do passado
Soa muito mais que antiquado
Esperar por quem não vem
Sabemos muito bem
Alguns passos a mais te levarão além
Brincadeiras perigosas de um louco
Aniquilam essa potência pouco a pouco.
(Machado. Marco)
sexta-feira, 19 de outubro de 2018
Aos Meus Assassinos
Pra ver meu sangue derramado voce ja confirmou presença
Ja que enxerga a prosperidade do país no final da minha existência
Que meus assassinos saibam que ainda respiro
O tiro no meu peito não calou a minha voz
Pois ela grita em unissono e com amor de todos nós
E que meus assassinos saibam que ainda respiro
E ja nas filas ascendentes da miséria
Teu soslaio corruptível de ódio ainda impera
Mas nenhum passo para tras me coage a fera
Que meus assassinos saibam que ainda respiro
Meu direito a vida foi roubado
Contestado, problematizado e relativizado
O perigo em que habito foi justificado
Mas isso tampouco me fará ficar calado
Por isso que meus assassinos saibam que ainda respiro
Por ora ou por aparelho
Embaçando minha imagem no espelho
Nem sentir a graça que tinha em vê-lo
São as forças que concebi ao descobrir por concebe-lo
As mesmas que pensei ter perdido ao pensar em perde-lo
Mas aos incautos a quem com palavras miro
Que meus assassinos saibam que ainda respiro
(Machado, Marco)
terça-feira, 2 de outubro de 2018
Jogos De Guerra
Jogos de guerra que queremos aprender
História pronta que me nego por prazer
É tão mais fácil ver meus erros em você
Mas não me obrigue a assumi-los sem querer
São os meus erros, as minhas brechas morais
Mas não são nada, mas não são nada demais
E invés de vê-los, problemas tão cruciais
Vou defendê-los, ataques tão racionais
Sobre a verdade também não sei dizer
Se na verdade não há o que fazer
Nesse embate foi o amor que se tornou
Meia verdade, arma branca e muita dor
Nesse jogo a pós-verdade, palavra popular
Julga de promiscuidade toda forma de amar
Fala dentro de uma bolha
"Tudo é questão de escolha"
Mas aquela do lado errado da porta
Por direito natural amanhã estará morta
Mas esqueçamos toda forma de poder
Esta na hora de viver e não de aprender
Para que se importar com essa insensatez?
Se na verdade a Angra é dos reis.
(MACHADO. Marco)
quarta-feira, 12 de setembro de 2018
Lanterna
Ao pôr do sol dormem os versos de amor
É que a noite fria não guarda seu calor
E a lua solitária não escuta teu clamor
De frase solta tão vulgar
Vê tristeza até na onda do mar
Que se joga contra o rochedo
Esperando a dor passar
Nenhuma alegria é similar
Alegra e enraivece sem alternar
Já não é mais forte e decidido
Só faz o possível para suportar
E se não fosse a inexplicável comoção
Adiaria seu sentir sem pestanejar
Não existem filtros para a solidão
Nenhuma maravilha tecnológica de compensação
Ou a rejeita inconsciente
Ou acolhe-a dentro do coração.
(MACHADO, Marco)
sexta-feira, 22 de junho de 2018
Brasileiros Patriotas
Visto minha camisa verde e amarela e vou a encontro dos meus iguais, eles também estão uniformizados. Estamos juntos pelo Brasil, estamos juntos nessa luta.
Com a bola no pé temos o presidente que representa a nação
não me refiro a velhos engomados que não apoiam revolução.
Isso é problema de outro país, o nosso está nas mãos do juiz. Não o algoz dos libertários impostores, mas o que põe fim aos meus temores.
Impostos abusivos e esquemas fraudulentos, os meus olhos estão atentos, minha completa atenção à partida na televisão.
Sou eu quem está ali no campo jogando, eu e todos os verdadeiros brasileiros, aqueles que paralisam a estrada não são nada, nem brasileiros nem verdadeiros.
Os patriotas reais estão comigo no bar assistindo o jogo do brasil: juiz, caminhoneiro e fuzileiro, todos unidos pelo brasil, em frente a TV, em volta de um barril.
GOL!
Somos vitoriosos, o nosso placar indica a nossa glória, sem motivos para estarmos chorosos por sustentar escória.
Um garoto morreu durante o jogo, mas não foi importante, o garoto não era um atacante.
O garoto era preto, ele nem estava de verde e amarelo, encontrei-o banhado em vermelho, ora, vermelho indica a nossa ruína, e isso não iremos aceitar, a injustiça não nos fará silenciar, LEVANTEMOS-NOS ENTÃO EM GRITOS DE PROTESTO! NÃO ACEITAREMOS ÁRBITROS DESONESTOS!
Quanto ao garoto preto, manchando a camisa amarela de vermelho, bom... esse mal tinha mesmo que morrer.
Estamos livres agora, como estivemos outrora, em 2002 talvez, mas agora nosso menino rei é a bola da vez.
Pra frente Brasil! Nós temos motivos para celebrar, afinal, já nos esquecemos dos motivos que tínhamos para chorar, para gritar ou rebelar.
Hoje tem jogo do Brasil!
E Somos Todos Patriotas!
Nossa nação
Formando a raça dos idiotas!
(MACHADO. Marco)
quinta-feira, 29 de março de 2018
Sem Finais Felizes
A melhor chance que pude ter
Transformei na pior maldição que fiz por merecer
Virei-me de costas pro amor verdadeiro
No que me parecia um ato guerreiro
Mas no instante em que percebi o que havia perdido
Vi meu sonho se esvair na esperança daquele pedido
Tudo que me restou foram as lembranças ensolaradas
Dos dias chuvosos e das noitadas
Dos momentos sombrios e do frio pavoroso
Onde me surgia sempre o acalento aconchegante do riso no seu rosto
Passagem para o vale sem saída
Onde te deixei por último depois da despedida
Lugar em que me trouxe novamente cores para meu mundo dormente
Era o que o simples timbre da tua voz proporcionava
Trazia vida nova a um reino que desmoronava
Mas que tolice a minha não ver que a vida nova que surgia
Tinha origem na minha fonte de alegria
Abandei a raiz pensando que traria comigo seu fruto
Num engano tolo de um desejo fajuto
E como consequência de decidir ao pensar tão torto
Hoje caminho como antes tentei desesperadamente evitar...
Morto
(MACHADO. Marco)
quarta-feira, 7 de março de 2018
Percepção
Você me fez entender que o amor
é uma vontade de salvação
em uma lógica sem razão
sob um impulso de não dizer não.
E pra quê pensar numa possível solução
se quanto mais eu nego a emoção
mais resistente se torna o coração.
Só então percebi
Que tua presença no meu existir,
Estar perto e te ver dormir
É o bastante pra me fazer sorrir.
(MACHADO. Marco)