Jogral Sem Identidade

Jogral Sem Identidade

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Aprender a amar

Agora você sabe
De tudo que não foi dito
Mas tudo o que lhe cabe
Que pra você não foi escrito
Você vê agora
O que pra outro é constante
Você ri e chora
E não vê naquele instante
Onde realmente mora
Onde realmente é importante
Você sente então
À luz do sofrimento
Um aperto no coração
Esse doloroso sentimento
De estar naquelas mãos
E não sentir o acalento
Mas não se sinta culpado
Por ter acreditado no amor
Você não estava errado
Em colorir o incolor
Apenas não percebeu
Apenas não se deu conta
Que o jogo não era teu
Que a vontade só tinha uma ponta
Você gasta energia
Pra provar o irreal
Você finge alegria
Você esbanja euforia
Você ri durante o dia
E de noite passa mal
Olha para as estrelas e a lua
E elas refletem sua tristeza
Te mostram a verdade com clareza
Mas você ainda continua
Mesmo que já saiba com certeza
Que não podes ter além de nua
O profundo do corpo com imensa beleza
Então vamos continuar
Eu vou te acompanhar
Porque esse tempo vai chegar
E alguém vai nos mostrar
Um dia em algum lugar
Nós vamos aprender a amar
(Machado. Marco)

2 comentários:

  1. Eis uma sucessão de eventos (não cronológicos): Facebook -> teu perfil apareceu como pessoa que talvez eu conhecesse -> te reconheci da ufam (e de certa(s) conversa(s) aleatória(s)) -> stalkeei o perfil (assumo) -> vim parar aqui (em vezes não cronológicas). Hoje parei pra ler -- dessa vez de verdade. Li uma poesia, depois outra, e mais outra. Quando dei por mim, não tinha mais postagens: eu havia alcançado o primeiro texto (esse). Isso tudo é muito estranho. Existe a ressalva no subtítulo do blog: "poesias sórdidas feitas por um tolo". Mas isso não é uma desculpa. Ou é, na verdade. Porém, não impediu o meu ultraje, a frustração e, sobretudo, a empatia (infelizmente). Fui pego de surpresa -- o que, para meu orgulho idiota, é uma afronta medíocre ao fim de semana prolongado no qual minha maior ambição era vegetar até segunda-feira. Nunca fui muito de ler poesia (aposto que esse argumento deve ser clichê), mas não porque me acho incapaz de compreendê-la. Sendo sincero, eu não tinha parado pra pensar sobre isso. Daí, hoje -- puff! -- eu descobri o motivo. Eu, na verdade, não entendo os poetas. Jamais conseguiria ser eu mesmo um de vocês -- sou cínico demais para a coisa. Talvez as interpretações que extraí dos teus textos não fizessem parte de um conjunto de intenções iniciais, mas então me dei conta de que o lado de cá (enquanto leitor) me dá a possibilidade de achar o que eu bem entender a partir das contruções poéticas desse blog (que, diga-se de passagem, tem uma aparência das mais aconchegantes no quesito 'I don't give a shit' e me fez gostar de estar aqui). Agora, cortando o mimimi, preciso confessar que não faço ideia do porquê tô escrevendo isso. Acho que, talvez, não sei, eu tenha me sentido, após consumir todas as poesias, obrigado a falar alguma coisa -- mesmo que não fizesse sentido. Foi quase o equivalente a uma obrigação moral de agradecer o anfitrião pela festa. Ou seja: noções de etiqueta, que, por sua vez, parte de uma ética maior, mas aplicável à gentileza das relações abstratas do cotidiano. Vish... isso pode ter soado esnobe, mas prometo que não tô querendo bancar o sabichão. Só acho que te devo um tapinha no ombro em gratidão pelo que li hoje. Além do mais, se isso parecer tão constragedor quanto eu acho que pode parecer pra você, a gente sempre tem a opção de fingir que nunca aconteceu. P.S.1: Desculpa o textão; divagar no cafofo alheio é terapêutico. | P.S.2: Sem ordem de favoritismo, minhas poesias preferidas são Efêmera Felicidade, Resistência e Até o mundo acabar. | P.S.3: Preciso perguntar, porque isso me deixou louco: a maior parte das poesias tem pelo menos uma palavra ou letra sublinhada... isso quer dizer alguma coisa? (Em retrocesso, admito que morri de preguiça de manter anotações para concluir se as palavras de fato tinham a ver com alguma mensagem codificada ou simplesmente eram tudo menos um poço de significados). ;)

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    1. Gente... Não tinha visto que tinha comentário em uma publicação, te agradeço muito ter lido meu "trabalho" e obrigado mais ainda por ter me dito que você gostou, é uma sensação boa quando tem alguém que nos aprecia (às poesias), e eu acho que posso te chamar de poeta sim, pois é aquele transforma o não ser em ser, e com as tuas palavras tu transformou sentimentos em palavras que puderam me trazer um sentimento bom (o que espero muito ter conseguido contigo também).
      Sobre as palavras sublinhadas, algumas são um tipo de ênfase que coloco porquê quando eu escrevo, certos sentimentos e tal vem de súbito e escrevem o resto da poesia por si só (talvez você entenda como é) mas em alguns casos eu realmente errei e sublinhei no lugar errado sem perceber, mas por sorte esses detalhes não mudam a perspectiva do texto.
      Muito obrigado por ler e não se acanhe em escrever quando quiser, o anfitrião permite e encoraja que a casa seja o teu divã sempre que quiser

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