Jogral Sem Identidade

Jogral Sem Identidade

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

O Trono à Quem Pertence

Quando vieres dizer que é indolor
Que nada é e que tudo é incolor
E a totalidade se resume então em dor
Encontra conforto agora
No peito que te acolhe
Que da guerra escuta teu clamor
Ganido excruciante que implora por amor
Corre atrás da verdade em estupor
E recria pelo tempo
Sem que seja seu intento
Uma cena banhada de ardor
Enquanto intocado ele é senhor
De terras tão distantes quanto cá
Que é fora de alcance e aqui está
Onde acontece a travessia de um olhar
Que por ventura deságua em algum mar
Não está a ouvir o clangor?
Das espadas que se cruzam
Das botas que pisoteiam o chão
Fraco gemido grita "não"
Que minha hora não é esta
Pois seria morte em vão
Ser funesto sem perdão
Por não dizer a quem não sabe
Àqueles que ainda virão
Que esse fogo incandescente
Filho do desejo é indecente
Contundente e inconsequente
Mas com nada contra em mente
Afirmo aqui esta questão
Que encerra assim em tua mão
O que não sempre é por ti
Mas a todos causa apreensão
O desejo mais desesperado
Criado no meu coração.
(Machado. Marco)

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