Jogral Sem Identidade

Jogral Sem Identidade

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Cascavel

Ah minha linda cascavel
Com feições tão serenas
Tão doce quanto mel
Me diga se mereço
Que seja assim comigo tão cruel
Minha amada cascavel
Se soubesses o que sinto
Quando pareço estar no céu
Mas na vida eu só minto
Você é vilã e eu sou o réu
Quando perto de mim
E te devoro desde cheiro de homem
Tão originais àqueles que somem
Que poderia ser que a razão me tomem
Mas é só no teu esgar
Quando a balbuciar
Frases soltas de pesar
Que me vejo totalmente entregue
Do desejo que se ergue
Ah cascavel, meu anjo à quem preces dedico
Teu escárnio dói no peito
Mas nada digo sem jeito
Deixo-te a desconstruir-me
Pois o que está feito está feito
Fere-me com flechas forjadas no zero absoluto
Entre citações de velho louco e culto
Enquanto vai ao caminho mais distante
Colher rosas de beleza estonteante
Por desprazer me faço luto
Acompanhando o tumulto
De onde queres ser soluto
Mas oh cascavel, então minha dor e poesia
Dona, senhora e rainha de minha heresia
Observe nestes versos
Que concerne a silenciosos protestos
Que a amo mais que a mim
Como ninguém o faz, fez ou faria.
(Machado. Marco)

Nenhum comentário:

Postar um comentário