Jogral Sem Identidade

Jogral Sem Identidade

domingo, 30 de junho de 2019

De Volta à Caverna

Ainda que seja dia
Ainda que os pássaros cantem a mais bela sinfonia
Ainda que as cores irradiem das flores com maestria
Sem te ver meu mundo não tem alegria
Quem você pensa que é pra me fazer tão bem?
Chega sem se doar e já não posso mais viver sem
Como ousa me fazer esquecer minha dor?
Eu não aprendi a viver sem ela
Aí você chega e me mostra o que é o amor
Eu não aprendi a lidar com as coisas belas
Por conseguinte me sinto perdido
Agora ainda mais do que antes
Vejo luzes que nunca tinham existido
As vezes extremamente vibrantes.
Me incomoda este novo mundo
Ja que é apenas uma nova ilusão
Sou nativo do silencio oriundo
Meus olhos só enxergam na escuridão
Na verdade as cores em volta de ti nada expressam
Das esperanças que em pedaços parti nada me restam
Deixe-me agora voltar à caverna
Onde meu espírito pra sempre hiberna
Lá não existe ilusão que me apeteça os olhos ou o coração
O verdadeiro frio do vazio dói bem menos que abandonar a razão
Nunca mais me dê a mão.
(MACHADO. Marco)

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Noite Adentro

Noite adentro e o meu intento é o acalento
Um tormento denuncia sob a força desse vento que de culpa não estou isento
Ontem estive embriagado
Hoje ando em passos lentos
Minha força de vontade não é mais que um porcento
E quanto mais eu tento mais penetrante torna-se o barulho desse silencio tão lamuriento
Me pergunto quanto mais desse veneno eu ainda aguento
Dói-me tanto o peito que beira o sangramento
Dor pra qual curandeiro algum possui unguento
Só me restar afundar então nesse oceano lamacento aonde jaz meus sentimentos
E o som suave das cordas tencionadas
Poetizam meu lamento.
Eu lamento.
(MACHADO. Marco)

Tabuleiro de Dédalo

O jogo da resignação
Padece e acalma o coração
Nos olhos que não te refletem
Tem tudo o que os meus querem dizer
Um salto do abismo à segurança de expressar um grande querer
Um silêncio e um sorriso
Uma solidão e um risco
Arriscado me convencer de que não é tudo em vão
Pois um coração que ainda bate costuma gostar de se iludir entre a lua e a paixão
Se alçares vôo saiba
O sol queimará tuas asas
E quantas quedas tua irracionalidade ainda pode suportar?
Até quando ainda restar algo por que vale a caminhada
Mais cansado irá voltar para longe da linha de chegada
Consequência da ilusão
A derrota de uma vida
E recomeça outra partida
No jogo da resignação.
(MACHADO. Marco)

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Perdido

E quando a luz no fim do túnel se apaga?
Tem alguém que vai lhe ajudar?
Quando a essência do seu ser se transforma em dor e mágoa
Quem é que vai te consolar?
Quando o mundo desmorona sobre sua cabeça
A realidade irrefreável, cruel e imutável
Nada muda e nada para caso você pereça
Estamos completamente sós
Perdidos na escuridão de milhares de faróis
Com medo de seguir adiante
Receio de aceitar que ja foi o bastante
Não o suficiente
Não consciente
(MACHADO. Marco)

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Incômodo

O que me incomoda é a beleza das flores
A claridade e calmaria de um dia ensolarado
Os amantes envolvidos em beijos apaixonados
O que me incomoda é o sorriso de prazer que surge nos rostos dos que se aprazem de pequenos prazeres
Me incomoda que tenham certeza do que dizem
O que me incomoda é o afeto nas palavras que me dirigem os dias cinzas
Ou os abraços amorosos no dia em que comemoram minha tragédia
Me incomoda parecer que eu, apenas eu, penso na morte com a frequência de batimentos cardíacos
Pois me parece assim... que apenas me parece
Me incomoda que constantes vozes proclamem poesias estonteantes expressando a beleza da vida
Me incomoda não saber o que elas sabem
Não conhecer seus segredos nem compartilhar suas percepções
Me incomoda esse prazer de não saber
De ficar bem ao pensar que fico bem as vezes
Me incomoda descobrir que nada me incomoda
(MACHADO. Marco)