Jogral Sem Identidade

Jogral Sem Identidade

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

A Força

Tu me inspira a força
A força de não sucumbir à força
Mas ter consciencia de mim nessa força
De ver meu lugar nos enfins dessa força
Eu quis usurpar então a posse da força
E fingi cinismo e não aceitei a força
E fui derrotado pelo poder da tua força
E então eu me perdi.
Nao consegui aceitar
Fui, como dizem os cruéis
"O mais fraco é melhor sacrificar"
Mas nos somos da floresta
Na morte ela veio me chamar
E nela eu encontrei a força
E agora entendo mais sobre aceitar a força
Não ser o meu carrasco por não ter compreendido a força
Agora a passos curtos e bem dados eu encontro a minha própria força
A mesma que é a tua força
Por isso eu sempre quero abraçar a força
Mas pra isso ainda me custa conhecer a força.
Nos caminhos sagrados pra encontrar a força
Aceitando os moinhos de areia que tem muita força
Achar um outro caminho pra me inspirar a força.
(MACHADO. Marco)

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

Sentimentos Perdidos

Não sei colocar em palavras o que sinto

Pois sempre que tento, eu minto

Dizendo que não sinto nada

Fazendo uma piada

Dói pensar que não me entende

Tanto quanto te ver condescendente 

Não me tenha na mais alta conta

Não é isso que conta

O que preciso é que me diga a resposta

Por que tanto desamor a nossa volta?

Você não é capaz de dizer que me ama além das palavras

Nem tampouco me odiar de peito aberto com o impulso que ofertava

Eu vejo nas paredes as palavras engolidas

Engolfado nessa rede com sabor da tua mordida

Entristece-me pensar que posso jamais te ver pensar

É como ver um lindo barco, mas sem ninguém a remar

À deriva e fadado aonde o vento o levar

Observo tudo com um peso enorme no peito

Enquanto esqueço de mim exatamente do mesmo jeito

Ainda tento aprender a me expressar

Mesmo depois de tanto tempo

É que ainda sinto que tenho algo pra te falar

Mesmo apesar de tanto sofrimento

(MACHADO. Marco)

sábado, 3 de setembro de 2022

Tarde Vazia

Pela janela do meu quarto escuro eu vejo entrar a luz do sol, tão clara, pura e mesquinha, sem se importar com a dor que sinto ela entra, me banha na solidão do parapeito, me tira o conforto que só encontro perdido na noite que sempre espero ser eterna. Ainda assim não consigo ver senão beleza na tarde vazia que me rodeia, querendo dizer ao mundo que há sim motivos para felicitar, embora estejam além do meu horizonte, ou nem tanto. A copa das árvores balançando suavemente na brisa quase inexistente desses morros queimados soam quase como a memória da vida de alguém que já fui, antes de tantas outras subidas e descidas, atrás de montes tão distantes quanto meus próprios pensamentos.
Longínquo é o reino de onde remeto aos meus amores, trazidos pelo vento numa tentativa de me sentir vivo. Trouxera também um pouco do teu perfume que me atravessa o terceiro olho quando elevo meu espírito, parece que foi ontem que vi o teu sorriso tão próximo que eu poderia dizer a marca do teu creme dental, mas não parece tão recente, nem ao menos parece está vida, senão a de outro alguém, alguém que eu já fui e que jamais poderia ser, assim como nunca fui dele, nem ao menos meu.
A luz do sol brilhou incandescente sobre a minha pele, eu senti queimar, agora eu sinto o acalento de saber, que nada foi para ficar, agora eu vejo uma história se desenrolar, a qual eu escrevo em linhas confusas pra denunciar minha insanidade, os amores do passado se mostraram novamente, afinal de contas tudo é parte desse jogo, o amor não ficou pra trás em momento algum, mudou apenas de endereço pra que pudesse permanecer aqui por perto, mas quanto tempo eu levei pra o reconhecer? Sinceramente, ainda é parte do que não conheço, se é que um dia o conheci. Mas sei agora, vendo o sol se despedir de mim mais uma vez, que minha turva visão de sofredor me impediu de nota-lo antes, e agora me esforço para não permitir que a brisa fresca passe sem deixar notas da fragrância que sei que vou encontrar no teu pescoço.
(MACHADO. Marco)