Pobres combinações perfeitas
O sabor do requinte da espúria exploração do homem pelo homem
A mórbida beleza avassaladora das almas sem cor
Do gosto sem sabor
Do cheiro dos cigarros que poetizam a enfermidade
É realmente o cenário perfeito para conceber o inferno no outro
Um desfile de classe, soberba, injúrias e silenciosos maldizeres
Talvez eu apenas esteja juntando os combinantes errados
É que hoje só consigo pensar que um dia pensei querer ser um dos que hoje observo com pesar
Mas que bonito é ouvir-los falar, o que tem para contar, eu nada posso entender, mas gosto genuinamente de escutar
É o som dos espinhos das rosas vermelhas que te matam enquanto te encantam
E eu vim aqui justamente para apreciar a beleza da morte nos braços dessa dama volúpia
Me sinto grato de conhecê-la no esplendor de sua graça
A morte que me abraça
Me beija e me desgraça
Mas me deixa para viver um amanhã sem sua mordaça
Sempre amei histórias de morte
Ate que morri na minha história sobre o amor
E renasci para o amor através de uma morte sem amor para me acolher senão o amor que despertei na subconsciência do eu que jamais quis amar
Que grande incoerência
Fúnebres méritos de uma morte inglória que me trouxe a vida que sempre busquei nos meios contrários à ela
Pequenos sabores acentuados de proporcionalidades do nada que pode comprar a riqueza dos homens fúteis
A certeza empírica que alcancei por mérito de minha própria busca através da empiria
Nenhum rio pode ser tão calmo, sereno, colorido e bonito sem o sorriso de meus irmãos e crianças
Essa é a riqueza da vida real
(MACHADO. Marco)