Jogral Sem Identidade

Jogral Sem Identidade

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

Lavanderia

Lavar a roupa suja da sujeira do caminho
Água lava enquanto ouço o assobio de uma coruja
Vem o discernimento 
Vem o conhecimento 
Lavo a roupa tiro a roupa lavo o corpo
Lavo o corpo tiro o corpo lavo a alma
Lavo a alma tiro a alma eu sou o todo
Lavado em águas doces de mamãe Oxum 
Banhado na pureza do divino bem que me quer bem
Eu sou guerreiro, viajante das estrelas, visitante desta terra tão bonita
Faço questão de caminhar por esta terra de alegria
Na mente firmo a gratidão e a harmonia 
A Deus entrego o caminho e vou cantando a melodia
O nascer do sol: jovial celestial
Cai a tarde intensa e o calor purificando todo mal
Se despede a estrela ancestral 
Com seu infinito amor ainda irradia sobre a lua sua luz divinal
Eu descanso seguro e consciente que não tardará a retornar
Me doando um novo dia para viver, caminhar e contemplar
A dimensão infinita de amor a me guardar
(MACHADO. Marco)

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

Chamado de Iemanjá

Eu recebi o chamado
Quando quebraste o cajado
Voei em liberdade
Nas asas de um ser alado
Marinheiro aprende a navegar
Marinheiro retorna pro seu lar
Quando a missão cumprir
Quando a missão acabar
Agradeça e volte pro seu lar
Agradeça e volte pro seu lar
Onde há de brotar a esperança 
Semeada no olhar de uma criança 
Onde há vida e amor
Pode crer que é pra lá que eu vou
Onde há de o sol raiar
Onde a luz me iluminar
Onde houver vida e amor
Pode crer que é pra lá que eu vou
Onde a terra beija o mar
Onde a noite reflete o brilho do luar
Onde Iemanjá se põe a cantar
É pra lá que vou
(MACHADO. Marco)

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

À pedido do pai Sol

Hoje eu tô indo com muitas certezas
Para quem talvez sejam efêmeras 
Mas quais de todas não o são?
Então deixa-me ser louco 
Tentarei ser consciente enquanto ainda exerço do bom discernimento 
Com quão pouco se pode viver?
Eu me questiono sem entender
É preciso viver para saber
Já que a prisão aliena a mente
Mas eu sou alienígena 
E você não acredita em mim
Mas eu sou alienígena
E você também é
Me pergunto o quanto custa para tu aceitar?
Aceitou de mim tudo o que pude oferecer e que foi quase nada 
Pediu apenas as raízes mortas de um coração já corrompido
Eu dei e para isso sou espetáculo
E para isso banho em todas as águas à quem banha mamãe Oxum
A quem banha-me de encantos
Mas meu sapato é de cristal e devo partir ao tocar dos sinos
Para que não hajam gritos e gemidos, eu parto antes do sol amanhecido
Ainda sinto que te fui injusto ao não te deixar a opção de me odiar
São as consequências do meu jeito de amar
Todo louco deve desafiar as grades da prisão ou será em vida devorado na ilusão
Sinto muito à quem muito sente mas me recuso a viver a vida nessa lamúria permanente 
Eu aceitei o pedido do pai Sol
Vou cantar e dançar para encantar a mãe Lua
Espero te ver na plateia do espetáculo
Para ver que sou completamente minha 
Sem contradição sou completamente tua
(MACHADO. Marco)

Mergulho

O mundo te convida a ter
Possuir e controlar
O mundo te oferece juntar
Dominar e comandar
Quanto poder você quer em suas mãos?
Quanto custa esse jogo de paixão?
Quão longe estará disposto a ir para encontrar
A verdade do teu coração que não desiste de sonhar?
Esse constructo é teu para habitar
Esse caminho é teu para trilhar
Esse mundo inteiro foi feito pra te amar
Quando é que você vai se permitir mergulhar?
Acostume-se filho
Pessoas vão te amar, algumas estarão aprendendo
Outras irão te provar
Algumas também, não por maldade, irão te machucar 
Mas tudo isso faz parte da lição que viemos aqui para ter
A grande jornada para aprender a amar
(MACHADO.Marco)

quinta-feira, 7 de novembro de 2024

Meio Além

Talvez os fins justifiquem os meios
Mas como reconhece-los?
Somos um círculo 
Onde inicia e onde termina?
Te busco além do horizonte 
Não buscarei paradas
Pararei apenas pra descansar e me hidratar 
Quem sabe sorrir um pouco
Sorrir está entre as incertezas do futuro
Não reconheço em mim o merecimento do amor de Deus
Nem ao menos me reconheço
Falta água quando falta floresta
Falta comida quando falta cuidado
Falta vida quando falta respeito
O amor que tudo é está em falta
Vou buscá-lo em mim onde tua espera não espera por mim
Certo de que o encontrarei no meio de cada um dos meus fins.
(MACHADO. Marco)

Entreaberta

A porta está entreaberta
Estou esperando você por ela entrar
Sabendo que na verdade a porta está entreaberta esperando a minha hora de sair
Lares são feitos de união, amor e respeito 
Essa sala vazia e fétida é apenas onde deixo enterrado o passado para acompanhar o presente de ainda poder sonhar com um futuro melhor
Eles disseram que é impossível encontrar o amor sem perder a razão
Não é algo difícil de se perder, de fato
Mas eu tenho mais do que um sonho ainda vivo em frangalhos 
E pra encontrá-lo terei foco PRA CARALHO
(MACHADO. Marco)

Construção 2

Eu busquei o meio
Eu fui atrás do conhecimento 
Eu consegui o recurso e o acesso 
E criei o gatilho que unifica minha jornada
Eu agora me despeço em festa para buscar o além do horizonte
Onde mora o teu nome
Onde acaba a minha fome
Que em minha jornada tu me acompanhe
Que todos meus feitos te honrem 
Que a lua me ilumine enquanto o sol dorme
(MACHADO. Marco)

a Fórmula do Amor

Eu vou cantar a vida cansada de chorar
Eu cheirar as rosas que enfeitam o teu congar
Deixo plantado um jardim regado com amor
Para que quem venha depois de mim sinta o desejo de rega-las e ver nascer a cor
A estrela brilha e brinda ao conhecimento que virá
Ao abrir a porta do teu coração e contemplar
Eu vou subir o monte onde a ausência é um estado de falta ilusório
Viver a vontade de ser eu sou só que só me encontro dentro
Esteja em conforto quanto ao tormento
Ele existe quando a vida está em movimento 
Mas espera que lá vem o sol
Vou encontrá-lo no horizonte da casa de Deus
Onde a vida vibra à saudação dos irmãos meus
Cada ser único nessa aventura é uma expressão divina a respirar 
Cada um descobrindo qual a sua fórmula para aprender a amar
HAUX
(MACHADO. Marco)