Jogral Sem Identidade

Jogral Sem Identidade

terça-feira, 25 de março de 2025

Prova Shakespeariana

Pois já sabendo do absurdo da hipocrisia que assola a humanidade resolvi quebrar essa cadeia e viver com verdade
Quando o sol brilhou eu fui ao céu aberto e pedalei sob seus raios por quilômetros sem fim
Quando caiu a noite eu me sentei sob o luar e apreciei o que cada estrela tinha a me ensinar
Quando choveu eu não corri para baixo de um teto e me escondi, eu dancei e deixei o pranto com rio sob os meus pés se confundir
Estou agora mais certo do que já estive antes de que quando disse "eu te amo" não era como outros ditos de rompantes
Um sopro de vida costuma deixar marcas sobre a terra
Marcam as provas de que a vida é realmente bela
Provar é senão o ato de viver e de amar
Prove, prove-se, pois não existem provas de que haverá um amanhã para provar
(MACHADO. Marco)

segunda-feira, 24 de março de 2025

Amar é morrer

Quando o mar encontra o sal e salta dos meus olhos faz-se chuva e eu sou paixão 
A lua se esconde atrás da terra para fugir dos raios do nosso sol mas eu sigo vulcão
O tempo passa e a vida segue entre belezas e desafios e eu me ponho em tuas mãos 
Eclipsados sentimentos, maré cheia, rio selvagem e seus rebentos
Alinhamento planetário, sapiente, senciente, não me faz menos otário
Arrogante, prepotente e não menos visionário
A tira colo está a arma com que tiro a vida de mais um mortal
Seja ele bom ou mau, não faço conta da moral
Sou eu mesmo um maldito homem vil, desgastado à obrigação de ser gentil
A procura de uma suposta redenção
Cumprindo a pena de carregar um coração
Sem me permitir desumanizar sou austero e irredutível
Não saberei não ser errado pois acho isso inconcebível 
Sou a fúria dos mares dos amores e vim apenas para matar
Amarei até que morte me abrace ou me tire pra dançar
(MACHADO. Marco)

domingo, 23 de março de 2025

Via de regra

Ouça comigo os acordes desse violão quase sem cordas
Ouça a mensagem nas entrelinhas do silêncio que transborda
Veja a essência do ser que se apresenta 
Nenhuma delas disso está isenta
Tome para si uma verdade, um caminho para caminhar
Pode ser a mentira que alguém julga para se auto afirmar 
Pode ser a contra corrente de um fluxo que insiste em definhar
Pode ser que você sinta que sentir é o que está a te maltratar
Pode ser até que esteja certo quanto a isto
Mas que outra opção lhe resta se não corresponder a sutileza de algum Buda ou talvez Cristo?
Vai andando que eu te alcanço no caminho, só vai
Eu sei que o fio que nos entrelaça foi tecido pelas mãos que determinam o que nunca se esvai 
E todas essas verdades são apenas mais do mesmo para o necessário todo dia
Um vai e vem de quem foi pra onde dizia que jamais iria
Ama o que é para explorar a missão de ser
Ame o que incita o amor pelo viver
Assim expande a via que, via de regra, te via e aplaudia a renascer
(MACHADO. Marco)

domingo, 9 de março de 2025

Sem Pressa

Não tenho pressa de chegar
Tenho pressa de viver
Não tenho pressa de chegar pois sei que não no fim desse caminho nada há a me esperar que não a inerente vontade de parar para descansar
Mas parar de viver para descansar não me traz o conforto do descanso da chegada
Meu descanso é então caminhar no meu viver até que com ele eu conviva em simbiose perfeita
Pois não viver na espera da chegada abre portas para o presente manifesto e eu quero aqui estar, desperto, para ver não o que foi ou o que virá, mas o que está por perto.
Deixe-me ir preciso andar, vou por aí a procurar, sorrir pra não chorar
(MACHADO. Marco)