Jogral Sem Identidade

Jogral Sem Identidade

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Amar NÃO dói

Dói não mano
Amar não dói.
Quem disse isso não chegou a amar
Ficou um passo atrás, dentro da ilusão.
Amor não faz chorar, não te impede de viver, não te prende no lugar.
Muito pelo contrário, te faz rir de se acabar, impulsiona o teu ser, te dá vida para amar
Vou te dizer como é, para mim, te amar:
Quando lembro de você sinto um sorriso se espalhar pelo meu rosto: Eu me lembro da liga infinita, da energia solar.
Quando penso em você sinto um fogo marciano. Quero ver, quero fazer, quero dizer o quanto amo o meu bem querer.
Quando o meu dia não vai muito bem eu paro um pouco, respiro fundo e deixo meus pensamentos vagarem até você, para que eu me lembre que, nenhum vazio, nenhuma distância, nenhum efeito visual travestido de realidade imediata pode me prender ao destino de Sísifo pois não há ser neste universo que possa desvirtuar o amor de sua natureza intrínseca.
O amor não tem isso de doer.
Ele é medicina doce para a dor de não saber
Se sinto medo ou ansiedade, me lembro que te amo
Se sinto rancor ou perversidade, me lembro que te amo
Se sinto dor ou cansaço, eu só me lembro o quanto que eu te amo
Fazendo assim a dor aplaca
O rancor se dissipa
E o medo se esvai
Você é minha pílula diária de amor para preservar meu bem viver
Pois a vida não teria o menor sentido de ser se eu não pudesse amar você.
(MACHADO. Marco)

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Das coisas raras

As coisas raras nos são caras
As coisas caras são raras 
Num mundo feito de possibilidades, eu repudio o pensamento de buscar o mais barato, de se satisfazer com o que custa menos, não por apreço à marcas, nem é por isso que estamos aqui.
Eu me refiro a raridade intrínseca de tudo que um genérico, por mais bem trabalhado que seja, não pode jamais alcançar.
O cristal genuíno forjado no âmago da terra que brilha eternamente 
O gosto do sumo da planta sem talo, sem aditivo e sem a semente
O tecido que ao toque dos dedos causa um sorriso
O grau do esforço conjunto que é preservar um amigo
O que é caro é mais raro
Não digo da Vogue, Birkin ou Channel
Eu quero teu nome gravado no anel
Chamo-te ouro e não folheado
Chamo-te inteiro e não meio amado
Chamo por ser raríssimo, lendário, imortal 
A tua singularidade para além do horizonte de eventos do qual teu olhar é portal
O universo é raro e insatisfeito eu fico com baratas imitações do teu azul
Nem todo dinheiro do mundo comprará uma única castanha de caju 
Por isso o raro nunca sai caro
Pois ele nem ao menos se presta a competir valores com desiguais 
Onde há valor há luz, há amor, e nada mais.
(MACHADO. Marco)