Ah minha linda cascavel
Com feições tão serenas
Tão doce quanto mel
Me diga se mereço
Que seja assim comigo tão cruel
Minha amada cascavel
Se soubesses o que sinto
Quando pareço estar no céu
Mas na vida eu só minto
Você é vilã e eu sou o réu
Quando perto de mim
E te devoro desde cheiro de homem
Tão originais àqueles que somem
Que poderia ser que a razão me tomem
Mas é só no teu esgar
Quando a balbuciar
Frases soltas de pesar
Que me vejo totalmente entregue
Do desejo que se ergue
Ah cascavel, meu anjo à quem preces dedico
Teu escárnio dói no peito
Mas nada digo sem jeito
Deixo-te a desconstruir-me
Pois o que está feito está feito
Fere-me com flechas forjadas no zero absoluto
Entre citações de velho louco e culto
Enquanto vai ao caminho mais distante
Colher rosas de beleza estonteante
Por desprazer me faço luto
Acompanhando o tumulto
De onde queres ser soluto
Mas oh cascavel, então minha dor e poesia
Dona, senhora e rainha de minha heresia
Observe nestes versos
Que concerne a silenciosos protestos
Que a amo mais que a mim
Como ninguém o faz, fez ou faria.
(Machado. Marco)
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