O despertar da manhã me trouxe medo do escuro
O coração que falha ao ter coragem é mutilado em cima de um muro
Só lhe assola lembranças de um ser imaturo
Que evitou tanto ser frágil e se tornou irremediavelmente duro
Mas são criados sob olhares diferentes
Alguns abrem suas pernas e outros abrem suas mentes
E se não lhes falta hipocrisia
Os caminhos se entrelaçam quais serpentes
Eu não sinto tanta dor agora
Tem a ver talvez com a imensidão da aurora
que de mim se distancia...
Pelo menos por ora
Quando ela voltar não esqueça de dizer que mandou seu remetente
Lágrimas sofridas, balas de canhão e uma vida decadente
Discutindo a poesia e o comunismo
Sob a alcunha de Coração Resplandecente.
Se na carta lhe escrever que estou bem
Foi lembrando que ninguém mais sofre por outrem
Foi descartando meses coloridos
Cheios de rabiscos reprimidos
Nesse livro falho em que desenho meus gemidos
Vocês verão que arte é do artista
Mora longe da sua teoria criacionista
Mas apoio ao declamar e rebelar
minha liberdade tão purista.
Minha carta chegou no fim
Minhas palavras se calaram
Meu lilás ficou carmim
Quando minhas forças se esgotaram.
(MACHADO, Marco.)
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