Eu me amarro na poesia
Porque a dor expressa em palavras
Soa como mágoas cristalizadas navegando em maresia
É brincadeira confortante
Poetizar qualquer instante
Mergulhar num mar profundo
Resiliência às águas cortantes
Se escuto o lindo luar
Dizendo segredos à quem escutar
Contemplo atento o que quer me dizer
Correndo fuxico a espairecer
É a beleza da musa que fala comigo
Que ausente a bonança me cede o abrigo
Me alerta de quem é ou não é meu amigo
Me chama poeta se for-te aprazível
Não importa se em suma te sou desprezível
Em palavras por poesia
Até meu inferno se torna risível
(Machado. Marco)
Jogral Sem Identidade
quinta-feira, 25 de maio de 2017
Eu Poesia
terça-feira, 23 de maio de 2017
O Moço na Estrada
Sentado na beira da estrada
Eu vejo a vida passar
Só vejo um sorriso na entrada
Correndo pra depois voltar.
Talvez eu nem tenha visto
Depois me questiono a pensar
Aquele sorriso na estrada
Correndo pra depois voltar.
O belo sorriso do moço
Na sua missão de encontrar
Alguém que lhe tire o desgosto
Na estrada pra depois voltar.
Talvez se deixasse essa pressa
De urgente um amor encontrar
Pro amor o moço faria promessa
Na estrada pra depois voltar.
Seguindo à passos largos, já longe de casa
O moço se põe a pensar
"Pra onde me leva essa estrada?
Mais tarde terei de voltar.
O que eu busco em investidas rajadas
Não olhei nem o chão que pisei
E de tudo muito pouco ainda sei"
Isso foi o que me disseram
Falo somente aquilo que penso que sei
Ouvi dizer que aquele moço
Que na estrada corria sem parar
Desacelerou o seu passo
E assim pôde o amor encontrar.
E foi bem assim que esse moço
Na estrada conseguiu se encontrar
Cessou de uma vez o desgosto
Na estrada foi pra não mais voltar.
(Machado. Marco)
segunda-feira, 22 de maio de 2017
Preso
Quando o sol do teu sorriso iluminava o meu olhar
Sentia em mim o paraíso me ensinando o que é amar
E quando em um segundo o mundo se fecha às minhas costas
Eu caminho sangrando preso ao eco de palavras impostas.
Tua sombra presa na minha memória
Serena, suave, implorando vitória
Tua pele presa na minha lembrança
Divina, robusta, implorando vingança
Um nó preso na minha garganta
Me guia, me bate, derruba e levanta.
A seiva que escorre no peito
A mesma que encharca meu leito
Que brinca, zombando meu feito
Com medo do olhar do sujeito
Mas fosse antes tudo que eu tinha
Parte do que desconhece
Queria não ser tudo que eu tinha
Pra ser aquele que te merece
Mas teu barco já não mais preso ao cais
Veleja, viaja, pra não voltar nunca mais
(Machado. Marco)
domingo, 21 de maio de 2017
Meu Ladro
Sarnento cão
Divinatória adivinhação
Anda por aí vagando aos prantos
Procurando seu dono pelos cantos
Fingindo saber o que faz
Por cinco adiante
Seis vão para trás
Latindo angustiado por um osso pra roer
Alguém para brincar
Uma boca pra lamber
Que diria tua mãe ao te ver tão decadente?
"Te criei pra ser feliz, mas em miséria é ascendente"
Já lhe basta procurar em outros olhos mãos pra lhe afagar o pelo
Pulguento e sujo, ninguém desejaria tê-lo
Te contenta com a rua como casa
Ainda tens tua tão sonhada liberdade
Alguém ainda te alimenta por aí
Não porque te amam, mas somente piedade
Sai cachorro feio e fedorento!
Animal inútil e pestilento
Eu não vejo teu espírito ao relento
Sou teu eu triste que não entende de maldade
Tua vida seca, que não tem utilidade
Essa é toda tua verdade
Na tua frente nua e crua
Corre o dia pela tarde
Mas a uiva pela noite e chora para a lua.
(Machado. Marco)
sábado, 20 de maio de 2017
Altos e Baixos
Mais uma vez te vi passar
Te vi perder
Te vi ganhar
Observei cada passo
Guardei cada traço
Você não viu o meu embaraço
E se cantar fosse bálsamo
A vida seria castelo
A fábrica que produz o tal elo
Ainda que apenas te ver seja talvez
Nada me ganha a certeza de vez
Nem pude agora dizer
Qualquer coisa que queira fazer
Faça comigo pois quero te ver
E se agora não posso pensar
Essa tal rede me torna vulgar
Mas se pudesse um dia gritar
Pensaria talvez que voltei a amar
Parece risível mas eu tentarei
Dizer que nunca mas eu nunca parei
Voz que bate e acerta
Que volta na certa
Me diz onde pode
Na certa se fode
Pensando que volta
Sabendo que não
Sabendo que sempre
Querendo que então
Então se cale agora
Pois chegou minha hora
Só presta atenção meu amor
Olha pra frente e me chuta
Pois não encontro cicuta
Que acalme essa dor.
(Machado. Marco)
quarta-feira, 17 de maio de 2017
Sem Importância
Eu estou dentro do vazio
Submerso no mais profundo rio
Com uma única estrela a rir de mim
Enquanto continuo a descer nesse poço sem fim
Eu não o faço por querer
Mas o par que me quer ver
Continua me impelindo a ser
Que tanto melhor seria
Não estar pra ver raiar o dia
Quando forçoso é mostrar alegria
Se envolto em tons do que se mescla à tamanha agonia
E quando mais uma vez a penosa noite cai
Nem mesmo os olhos de erômeno me atrai
Pelo contrário, nem ao menos brilham
Como fizeram nos dias em que na memória se recriam
As cores fortes, vivas no meu mundo
Eu as confundo com culpados tons de preto misturados a um triste branco imundo
Não costumo mais andar de acompanhante
Notas graves de alegria estonteante
Já não me entusiasmo
Pois não vejo claridade em corpo irrelevante
Seria ingratidão desfazer-me de tudo por aqui
De tudo que já pôde me fazer rir
Desde as teclas, os toques, garrafas ou piadas com bisturi
Mas em minhas palavras há culminância
Que há muito já me convenceu
De que nada disso tudo tem a mínima importância.
(Machado. Marco)
segunda-feira, 15 de maio de 2017
O Que Eu Posso Ser
Eu quero ser pra você
A luz que incide sobre o teu querer
O toque que te acorda e traz vontade para ser
Vê se me deixa ser
A palavra que aconselha ao amanhecer
O beijo que aquece o entardecer
O abraço aconchegante no anoitecer
O amor que sustenta o viver
Mas se não puder
Se assim não lhe convier
Me deixa ser ao menos teu talher
A almofada em que descansa o pé
Se assim lhe convier
Me permita ser o abajur da tua sala
O que só liga quando o mundo inteiro cala
Me permita ser teu pano de prato
A moldura de qualquer retrato
Sobre a tua estante eu posso ser o jarro
Me deixa ser o teu cigarro
Posso ser a sombra da tua sombra
Ou a fumaça que te lombra
Posso ser até
Esquecida no quintal aquela viga
Uma apostila há muito lida
Só não me deixa ser ninguém na tua vida.
(Machado. Marco)
domingo, 14 de maio de 2017
Enfim...
Será que um dia poderá ver a verdade
Tão morna e clara quanto o sol da tarde
Sem dar em troca apenas piedade.
Se eu pudesse um dia te fazer ouvir
Tantas palavras que tentam exaurir
Se redimir do que soou maldade
Mas não, não temos tempo pra viver assim
Antes que pense em pensar em mim
Nós já partimos à viver no enfim.
(Machado. Marco)
sábado, 13 de maio de 2017
Sepulcro Impiedoso
Amor, que hoje não quer nem mesmo olhar pra mim
Voa distante num breu que não tem fim
Sem medo de que eu possa te incendiar
Talvez você esteja deflorando a flor
Que brilha no mais belo jardim
Sabendo que às vezes mesmo assim
O mundo insista em parecer sem cor
Eu vi, mesmo de longe você a maltratar
Talvez sem senso ou simples deleitar
Um coração que já jurou te amar
E então, beija e rebola, afaga outras mãos
Sem piedade do meu coração
Que apesar de tudo não quer te ver sofrer em vão
Agora vai, segue o caminho que escolheu pra si
Não quero nunca mais te ver aqui
Mesmo que seja o único que pode me fazer sorrir
(Machado. Marco)
quarta-feira, 10 de maio de 2017
Minha Alegria
O mundo gira sem cor
A vida segue sem amor
O dia traz cada vez mais dor
Resignação não é rancor
Viver está doendo
Eu estou sofrendo
Mas com apenas um sorriso
Ninguém está percebendo
Cuida quem ama
Mas também finge quem trama
E o que eu faço em seguida?
Eu já não vejo uma saída
No que eu tinha talento
Hoje me escondo nojento
Chorando e morrendo por dentro
Esbanjando alegria ao vento
Desde já, nunca foi o meu intento.
(Machado. Marco)
quinta-feira, 4 de maio de 2017
Marcha Fúnebre
Ninguém está tão bem assim
O felizes para sempre não é tão bom pra mim
Pois uma ideia que não pode vir a ser não é mais que um sonho ruim
Nessa vida que é um antro depressivo
Uma náusea lôbrega massiva
E somente podemos nos precipitar por nossa marcha fúnebre
Certa e precisa
Então ao menos caminhemos juntos
Como amantes ou amigos
Até partirmos dessa vida.
(Machado. Marco)
quarta-feira, 3 de maio de 2017
Curiosa Atração
Curiosa atração
Despertando uma paixão
Algo ilícito é improvável
Que chega a ser incontrolável
Tão remoto e não palpável
Mas é doce e aconchegante
Um som suave e confortante
De toque leve e amigável
Nem um outro é tão amável
Mas se precipita para a saída
E me comove tua partida
Se eu pudesse impediria
E para longe jamais iria
Em meus esforços tentaria
Não há nada que eu não faria
Pela rua louco eu gritaria
Sabendo que assim você sorria
Sorriria e jamais partiria
Mas o que eu sinto existe em mim
E em você não há enfim
Algo que te faça desejar
Amar, olhar, nem ao menos pensar em mim.
(Machado. Marco)
terça-feira, 2 de maio de 2017
Parte do Passado
Pensei no meu caminho andado
Uma corrida em que fui ultrapassado
Mas você esteve do meu lado
Isso tudo é parte do passado
É um toque oportunista
Quando não existe uma conquista
Esperando por tempo à mercê
De um pleito que jamais vai ocorrer
E no meu pranto escondido
Eu borbulho ao imaginar
Não ter um coração partido
E estar pra te ver me amar
São partes de uma dor
São partes de uma vida
São dores de quem vive por amor
(Machado. Marco)