Quanta pretensão da minha parte
Não querendo ser o seu descarte
Como eu poderia pensar tal malucada
Só começamos a trilhar nossos caminhos
E eu querendo ser o final da sua jornada
Você caminha em passos tortos
E eu nem ao menos sei aonde vou
Os idealistas já estão todos mortos
E eu fico sorrindo do lugar que me sobrou
Um dia eu vou ser passado em sua história
Presente ou castigo de honra inglória
Ou até mesmo uma lembrança simplória
Até mesmo essa perspectiva me alegra
Só de saber que existo em sua memória.
(MACHADO. Marco)
terça-feira, 31 de outubro de 2017
Caminho
sábado, 7 de outubro de 2017
Carta de Ódio aos que Me Amam
O despertar da manhã me trouxe medo do escuro
O coração que falha ao ter coragem é mutilado em cima de um muro
Só lhe assola lembranças de um ser imaturo
Que evitou tanto ser frágil e se tornou irremediavelmente duro
Mas são criados sob olhares diferentes
Alguns abrem suas pernas e outros abrem suas mentes
E se não lhes falta hipocrisia
Os caminhos se entrelaçam quais serpentes
Eu não sinto tanta dor agora
Tem a ver talvez com a imensidão da aurora
que de mim se distancia...
Pelo menos por ora
Quando ela voltar não esqueça de dizer que mandou seu remetente
Lágrimas sofridas, balas de canhão e uma vida decadente
Discutindo a poesia e o comunismo
Sob a alcunha de Coração Resplandecente.
Se na carta lhe escrever que estou bem
Foi lembrando que ninguém mais sofre por outrem
Foi descartando meses coloridos
Cheios de rabiscos reprimidos
Nesse livro falho em que desenho meus gemidos
Vocês verão que arte é do artista
Mora longe da sua teoria criacionista
Mas apoio ao declamar e rebelar
minha liberdade tão purista.
Minha carta chegou no fim
Minhas palavras se calaram
Meu lilás ficou carmim
Quando minhas forças se esgotaram.
(MACHADO, Marco.)
terça-feira, 15 de agosto de 2017
A Poesia dos Teus Olhos
A poesia nos teus olhos traz
Amarga pra quem não está em paz
Doce com gostinho de quero mais
E ainda de tão linda te faz sorrir
Mesmo quando não queres exprimir
A resistência acaba nos versos sobre nossos caminhos a seguir
E aí então você se deixa ir
Mas o que me faz doer
Quase concluí sob a dor do sol carmim
A única coisa que parece não poder fazer
É te trazer aqui pra pertinho de mim
Ainda que possa ser apenas interpretação
Já que estás em cada palavra que te escrevo
Ainda que não possa te abraçar e segurar tua mão
Você está em cada raio de sol ou qualquer forma do belo que eu vejo
E mesmo estando assim tão inalcançável
Eu só preciso fechar meus olhos pra te sentir tão sensível e afável que meu todo vibra no tom suave do teu corpo que transborda de amor inesgotável
Meu amor eu viajei
Refiz e revivi tudo que presenciei
No intransferível intuito de não te ver dizer adeus
Não em todas as instâncias
Você é presente em todos os sonhos meus
Obrigado pelo presente
De qual a influência resultante ainda é vigente
Me permitir te ver sorridente
Tua presença me faz contente.
(MACHADO, Marco)
quinta-feira, 3 de agosto de 2017
Flores
Um poema para a flor
a flor que compreende a dor
Ela sabe quando é seu tempo de abrir e cativar
mas também aceita o seu tempo de murchar e acabar
Ela entende que sua imagem marcou um coração
tal que estava cinza até então
Ao sentir a dor da pétala que caiu,
caiu no abismo e tocou suavemente o chão
e sussurrou que seu tempo havia acabado, mas ela não.
Ela não.
Ela não acabou, pois sabe que mudou o mundo
Não diretamente, não.
Pois ela não fez guerra.
Flores não fazem guerra
elas vêem dentro do escuro oriundo
e clareiam o vazio nebuloso do fim do mundo
Flores não morrem
Renascem.
(MACHADO, Marco.)
sexta-feira, 21 de julho de 2017
Um Dia Vívido
domingo, 2 de julho de 2017
Verso de um Sentimento Inverso
São dores sem remédio
do meu pequeno grande sacrilégio
Mas como não seria
se es de tudo, tudo o que eu queria
Em meio a contos de terror e solidão
tua lembrança é que acalenta o coração
(MACHADO, Marco)
sábado, 24 de junho de 2017
Cheiro do Vício
cavando a procura de mais
à deriva a procura de um cais
por onde olho é onde estás
És o chão onde pisa
e a agua que lava
Quando em quando desliza
era o que lhe matava
foi quem disse não cheira, mas fede
só que agora nada o impede
Toma e sente o que nunca se mede
vil beleza que às outras excede
Sinto tanto entrar tão assim
como quem não queira nada de mim
E agora se banha na essência do amado
sem mostrar o sangue derramado
sem gritar à ele ao seu lado
sem passar ao mundo seu recado
E lá se foi novamente
como que por gosto do escárnio
segue o barco outra vez
depois de tudo o que fez
nem pensa e vai com rapidez
o vagido recobre sua tez
pois quando vê-se não é tão assaz
e condena energia voraz
por saber como é que se faz
vive a angústia e quer viver mais.
(MACHADO, Marco.)
Flor de Lis
ainda por brotar eu acredito
Para lhe entregar é que aqui venho
faz brilhante esse penhor, faz erudito
Na troca só o teu amor, eu admito
Se me der o que preciso serei feliz
Quando me salva, Eu Te Amo flor de lis
Mas se me negar, azul anil
pois se me mata é de afogado no teu rio
Quão incrível pode ser fazer nascer amor
em solo infértil que o vazio consumiu
Espanta suavemente o frio em teu calor
apaziguador é o ardor que da dor nos eximiu
Quero um beijo de amor do amor que me consome
receber felicidade do remetente com teu nome
Meu eu mendigo e miserável perto de ti não sente fome
quando é pura sede que me leva tão direto ao telefone
O que lhe falta eu te transbordo
se por querer assim me tome
Como tua guarda eu ousarei
um sentinela ao microfone
qual prisioneiro viverei
ao me aceitar te amarei
pois de outrem jamais serei
O que dirá apenas usar teu corpo
como se faz a qualquer outro
Mas conhecer teu universo
te admirando tão de perto
Minha certeza é que te amo por completo
de resto o mundo é muito incerto.
(MACHADO, Marco.)
quarta-feira, 14 de junho de 2017
Quiçá
Do corte um esporte
Nem viu o decote
Fitando do norte.
Se três forem os risos
Iguais se dão em fracasso
Paródia de um corpo liso
Verdades no meu embaraço
É uma dor simples por ser
Quanto mais onde tudo que eu posso ver
Ver onde deveria sentir
Ver onde é necessário crescer
Unir-me-ei então dentro do fim
Refazendo tudo dentro de mim
A ruína que eu construí
Toda a força que exauri
Quiçá pelo menos assim
O liberte de uma vez para enfim...
(Machado. Marco)
Mau Amigo
quarta-feira, 7 de junho de 2017
Perfume Sem Voz
É flor da minha lida que passa e some
Revivem o azul de pensar em você
Me dizem de novo como quero te querer
Como se os dias de dor valessem a pena
Pelo conforto que encontro em feições tão amenas
Tudo é para mim... para mim apenas.
O porquê eu não sei, aquela dor que antes sentia
A remeto com penosa alegria
De ter vivido, sentido e presenciado
Constante jamais foi silenciado
Mas assim caminha sempre ao meu lado
Um montante de amor
Para sempre calado.
(Machado, Marco.)
quinta-feira, 25 de maio de 2017
Eu Poesia
Eu me amarro na poesia
Porque a dor expressa em palavras
Soa como mágoas cristalizadas navegando em maresia
É brincadeira confortante
Poetizar qualquer instante
Mergulhar num mar profundo
Resiliência às águas cortantes
Se escuto o lindo luar
Dizendo segredos à quem escutar
Contemplo atento o que quer me dizer
Correndo fuxico a espairecer
É a beleza da musa que fala comigo
Que ausente a bonança me cede o abrigo
Me alerta de quem é ou não é meu amigo
Me chama poeta se for-te aprazível
Não importa se em suma te sou desprezível
Em palavras por poesia
Até meu inferno se torna risível
(Machado. Marco)
terça-feira, 23 de maio de 2017
O Moço na Estrada
Sentado na beira da estrada
Eu vejo a vida passar
Só vejo um sorriso na entrada
Correndo pra depois voltar.
Talvez eu nem tenha visto
Depois me questiono a pensar
Aquele sorriso na estrada
Correndo pra depois voltar.
O belo sorriso do moço
Na sua missão de encontrar
Alguém que lhe tire o desgosto
Na estrada pra depois voltar.
Talvez se deixasse essa pressa
De urgente um amor encontrar
Pro amor o moço faria promessa
Na estrada pra depois voltar.
Seguindo à passos largos, já longe de casa
O moço se põe a pensar
"Pra onde me leva essa estrada?
Mais tarde terei de voltar.
O que eu busco em investidas rajadas
Não olhei nem o chão que pisei
E de tudo muito pouco ainda sei"
Isso foi o que me disseram
Falo somente aquilo que penso que sei
Ouvi dizer que aquele moço
Que na estrada corria sem parar
Desacelerou o seu passo
E assim pôde o amor encontrar.
E foi bem assim que esse moço
Na estrada conseguiu se encontrar
Cessou de uma vez o desgosto
Na estrada foi pra não mais voltar.
(Machado. Marco)
segunda-feira, 22 de maio de 2017
Preso
Quando o sol do teu sorriso iluminava o meu olhar
Sentia em mim o paraíso me ensinando o que é amar
E quando em um segundo o mundo se fecha às minhas costas
Eu caminho sangrando preso ao eco de palavras impostas.
Tua sombra presa na minha memória
Serena, suave, implorando vitória
Tua pele presa na minha lembrança
Divina, robusta, implorando vingança
Um nó preso na minha garganta
Me guia, me bate, derruba e levanta.
A seiva que escorre no peito
A mesma que encharca meu leito
Que brinca, zombando meu feito
Com medo do olhar do sujeito
Mas fosse antes tudo que eu tinha
Parte do que desconhece
Queria não ser tudo que eu tinha
Pra ser aquele que te merece
Mas teu barco já não mais preso ao cais
Veleja, viaja, pra não voltar nunca mais
(Machado. Marco)
domingo, 21 de maio de 2017
Meu Ladro
Sarnento cão
Divinatória adivinhação
Anda por aí vagando aos prantos
Procurando seu dono pelos cantos
Fingindo saber o que faz
Por cinco adiante
Seis vão para trás
Latindo angustiado por um osso pra roer
Alguém para brincar
Uma boca pra lamber
Que diria tua mãe ao te ver tão decadente?
"Te criei pra ser feliz, mas em miséria é ascendente"
Já lhe basta procurar em outros olhos mãos pra lhe afagar o pelo
Pulguento e sujo, ninguém desejaria tê-lo
Te contenta com a rua como casa
Ainda tens tua tão sonhada liberdade
Alguém ainda te alimenta por aí
Não porque te amam, mas somente piedade
Sai cachorro feio e fedorento!
Animal inútil e pestilento
Eu não vejo teu espírito ao relento
Sou teu eu triste que não entende de maldade
Tua vida seca, que não tem utilidade
Essa é toda tua verdade
Na tua frente nua e crua
Corre o dia pela tarde
Mas a uiva pela noite e chora para a lua.
(Machado. Marco)
sábado, 20 de maio de 2017
Altos e Baixos
Mais uma vez te vi passar
Te vi perder
Te vi ganhar
Observei cada passo
Guardei cada traço
Você não viu o meu embaraço
E se cantar fosse bálsamo
A vida seria castelo
A fábrica que produz o tal elo
Ainda que apenas te ver seja talvez
Nada me ganha a certeza de vez
Nem pude agora dizer
Qualquer coisa que queira fazer
Faça comigo pois quero te ver
E se agora não posso pensar
Essa tal rede me torna vulgar
Mas se pudesse um dia gritar
Pensaria talvez que voltei a amar
Parece risível mas eu tentarei
Dizer que nunca mas eu nunca parei
Voz que bate e acerta
Que volta na certa
Me diz onde pode
Na certa se fode
Pensando que volta
Sabendo que não
Sabendo que sempre
Querendo que então
Então se cale agora
Pois chegou minha hora
Só presta atenção meu amor
Olha pra frente e me chuta
Pois não encontro cicuta
Que acalme essa dor.
(Machado. Marco)
quarta-feira, 17 de maio de 2017
Sem Importância
Eu estou dentro do vazio
Submerso no mais profundo rio
Com uma única estrela a rir de mim
Enquanto continuo a descer nesse poço sem fim
Eu não o faço por querer
Mas o par que me quer ver
Continua me impelindo a ser
Que tanto melhor seria
Não estar pra ver raiar o dia
Quando forçoso é mostrar alegria
Se envolto em tons do que se mescla à tamanha agonia
E quando mais uma vez a penosa noite cai
Nem mesmo os olhos de erômeno me atrai
Pelo contrário, nem ao menos brilham
Como fizeram nos dias em que na memória se recriam
As cores fortes, vivas no meu mundo
Eu as confundo com culpados tons de preto misturados a um triste branco imundo
Não costumo mais andar de acompanhante
Notas graves de alegria estonteante
Já não me entusiasmo
Pois não vejo claridade em corpo irrelevante
Seria ingratidão desfazer-me de tudo por aqui
De tudo que já pôde me fazer rir
Desde as teclas, os toques, garrafas ou piadas com bisturi
Mas em minhas palavras há culminância
Que há muito já me convenceu
De que nada disso tudo tem a mínima importância.
(Machado. Marco)
segunda-feira, 15 de maio de 2017
O Que Eu Posso Ser
Eu quero ser pra você
A luz que incide sobre o teu querer
O toque que te acorda e traz vontade para ser
Vê se me deixa ser
A palavra que aconselha ao amanhecer
O beijo que aquece o entardecer
O abraço aconchegante no anoitecer
O amor que sustenta o viver
Mas se não puder
Se assim não lhe convier
Me deixa ser ao menos teu talher
A almofada em que descansa o pé
Se assim lhe convier
Me permita ser o abajur da tua sala
O que só liga quando o mundo inteiro cala
Me permita ser teu pano de prato
A moldura de qualquer retrato
Sobre a tua estante eu posso ser o jarro
Me deixa ser o teu cigarro
Posso ser a sombra da tua sombra
Ou a fumaça que te lombra
Posso ser até
Esquecida no quintal aquela viga
Uma apostila há muito lida
Só não me deixa ser ninguém na tua vida.
(Machado. Marco)
domingo, 14 de maio de 2017
Enfim...
Será que um dia poderá ver a verdade
Tão morna e clara quanto o sol da tarde
Sem dar em troca apenas piedade.
Se eu pudesse um dia te fazer ouvir
Tantas palavras que tentam exaurir
Se redimir do que soou maldade
Mas não, não temos tempo pra viver assim
Antes que pense em pensar em mim
Nós já partimos à viver no enfim.
(Machado. Marco)
sábado, 13 de maio de 2017
Sepulcro Impiedoso
Amor, que hoje não quer nem mesmo olhar pra mim
Voa distante num breu que não tem fim
Sem medo de que eu possa te incendiar
Talvez você esteja deflorando a flor
Que brilha no mais belo jardim
Sabendo que às vezes mesmo assim
O mundo insista em parecer sem cor
Eu vi, mesmo de longe você a maltratar
Talvez sem senso ou simples deleitar
Um coração que já jurou te amar
E então, beija e rebola, afaga outras mãos
Sem piedade do meu coração
Que apesar de tudo não quer te ver sofrer em vão
Agora vai, segue o caminho que escolheu pra si
Não quero nunca mais te ver aqui
Mesmo que seja o único que pode me fazer sorrir
(Machado. Marco)
quarta-feira, 10 de maio de 2017
Minha Alegria
O mundo gira sem cor
A vida segue sem amor
O dia traz cada vez mais dor
Resignação não é rancor
Viver está doendo
Eu estou sofrendo
Mas com apenas um sorriso
Ninguém está percebendo
Cuida quem ama
Mas também finge quem trama
E o que eu faço em seguida?
Eu já não vejo uma saída
No que eu tinha talento
Hoje me escondo nojento
Chorando e morrendo por dentro
Esbanjando alegria ao vento
Desde já, nunca foi o meu intento.
(Machado. Marco)
quinta-feira, 4 de maio de 2017
Marcha Fúnebre
Ninguém está tão bem assim
O felizes para sempre não é tão bom pra mim
Pois uma ideia que não pode vir a ser não é mais que um sonho ruim
Nessa vida que é um antro depressivo
Uma náusea lôbrega massiva
E somente podemos nos precipitar por nossa marcha fúnebre
Certa e precisa
Então ao menos caminhemos juntos
Como amantes ou amigos
Até partirmos dessa vida.
(Machado. Marco)
quarta-feira, 3 de maio de 2017
Curiosa Atração
Curiosa atração
Despertando uma paixão
Algo ilícito é improvável
Que chega a ser incontrolável
Tão remoto e não palpável
Mas é doce e aconchegante
Um som suave e confortante
De toque leve e amigável
Nem um outro é tão amável
Mas se precipita para a saída
E me comove tua partida
Se eu pudesse impediria
E para longe jamais iria
Em meus esforços tentaria
Não há nada que eu não faria
Pela rua louco eu gritaria
Sabendo que assim você sorria
Sorriria e jamais partiria
Mas o que eu sinto existe em mim
E em você não há enfim
Algo que te faça desejar
Amar, olhar, nem ao menos pensar em mim.
(Machado. Marco)
terça-feira, 2 de maio de 2017
Parte do Passado
Pensei no meu caminho andado
Uma corrida em que fui ultrapassado
Mas você esteve do meu lado
Isso tudo é parte do passado
É um toque oportunista
Quando não existe uma conquista
Esperando por tempo à mercê
De um pleito que jamais vai ocorrer
E no meu pranto escondido
Eu borbulho ao imaginar
Não ter um coração partido
E estar pra te ver me amar
São partes de uma dor
São partes de uma vida
São dores de quem vive por amor
(Machado. Marco)
quinta-feira, 27 de abril de 2017
Talvez, Percepção.
Há quanto tempo estou aqui?
Eu sinto que me perdi
Mas não poderia afirmar
E se eu gritar quem vai escutar?
Está tudo tão escuro
Eu me sinto tão impuro
Acho que passamos do prazo
Tanta vitalidade foi um grande atraso
Acabei chorando sozinho na penumbra
Acabei fazendo dela a minha tumba
Aquele momento de alegria foi um erro
Não é certo em meu desterro
Eu que vivo aceitando migalhas
Secando suor nessas toalhas
Guardando palavras salva-vidas
Que por vaidade foram proferidas
Mas que me mantém abrindo feridas
Deixando a carne viva, elas que não foram esquecidas
Eu que fico querendo resquícios
Assim que te ver é meu ofício
E é você
Você que nem ao menos enxerga o mundo destruído
Mas vem vilipendiar um coração puído
Como está agora em tão conceituado pendor?
Amarga maldição de admirar a mais bela flor
Veja por este aspecto
Talvez tudo isso nem exista
Mesmo insistindo nessa pista
Talvez eu não esteja correto.
(Machado. Marco)
terça-feira, 4 de abril de 2017
Maior Abandonado
Não me olhe assim
O que eu tinha você já tirou de mim
O que eu era já se perdeu enfim
Então me deixe aqui
Eu já sou apenas uma lembrança
Por vezes aquela que faz você sorrir
Aí talvez eu ainda esteja vivo
Seria esta a verdade da qual me esquivo
Então me descarte como fez com as flores de qualquer jardim
Mas por favor
Só não me olhe assim.
(Machado. Marco)
segunda-feira, 27 de março de 2017
Efêmera Felicidade
Essa efêmera felicidade
Que não se sustenta com laços de continuidade
Que não se encontra em pé de igualdade
Que não se sublima na sociedade
Que não se projeta na minha ou na tua falsidade
Que não se sujeita aos delírios de qualquer vaidade
Que não se descobre enraizando maldade
Que enaltece os laços da nossa amizade
E que clareia toda e qualquer obscuridade
Há muito não existe na minha triste realidade
Essa efêmera felicidade
(Machado. Marco)
quinta-feira, 16 de março de 2017
Assolador
Se tudo as vezes faz sentido ou não
Quem sou pra discutir a integridade do partido em minhas mãos?
Se as vezes sinto a fúria de poder e não querer
Como direi que não te fiz pelo dever?
Se apenas sou ou estou sendo
É só mais uma das respostas que fico lhe devendo
Pois acordo ao açolho das rosas na janela
E garanto que não vi como é assim tão bela
Talvez esteja danificado algo crucial
Ou talvez estagnado em algo sazonal
Mas ainda sinto a dor
Embora não a receba como em tempos atrás
Com fascínio e com horror
E o que resta agora para nós?
Dilacerador sentimento atroz
O que me restava de bom há muito se exauriu
Distante e vaga lembrança
Talvez seja real ou talvez nunca existiu
Achamos graça então no esplendor da vida
Comédia sádica e ultrajante
No hábito de cutucar qualquer ferida
Nos cria algum conforto revoltante
(Marchado. Marco)
quinta-feira, 2 de março de 2017
Das Palavras Não Varridas
Não sei se estar aqui agora realmente importa
Mas me disseram que você estava de volta
Eu precisei olhar pessoalmente
E precisei chorar simultâneamente
Parece ter sido esquecido
Absorvido pelo lenço
E nem chegou ao seu ouvido
Mas alguém me disse que nos tornamos melhores quando perto de quem amamos
Teria esse alguém em vista a razão de seus desenganos?
Ainda assim me ponho a pensar
E convivo com tais pensamentos a me enturvar
Não pude fugir-lhes ao tormento
Mas avezar-me desse meu fenecimento.
Amor
Desculpe meus sentimentos
Não pretendo compartilhar contigo sofrimento
Esse nunca foi o meu intento
Mas se em algum quando lhe aprouver
Ninguém mais pode evitar-me de na solidão perecer.
(Machado. Marco)
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017
Vontade
Tenha o corpo
É tudo que temos
Possua a mente
Envolva-a em correntes
Caminhe, abrace e sorria
É o melhor que conseguirá algum dia
Confie, abrace e chore
Quem evita é quem mais morre
Perdoe, não esqueça mas também não guarde
Chama inútil muito arde
Contemple, afague e admire
Continue jogando até que o jogo vire
Use, use pra valer
Até se satisfazer
Sinta
Mesmo que o outro minta, sinta
Viva de verdade
Para que não se perceba um covarde.
(Machado. Marco)
domingo, 22 de janeiro de 2017
Vírus Solitário
E como me diria não amar a verdade nua e crua?
Decerto eu confessaria os meus crimes
E quem escutaria senão essa serena amiga lua?
Há bifurcações que chamamos becos sem saída
Olhando assim qualquer caminho é mexer nessa ferida
Resta agora tão letal companheira
A quem chamo de "querida"
Assim me exponho em versos sórdidos sem que tenham uma razão
Me afogando em pensamentos mórbidos que muito desprezam compaixão
E quando eu não me destruir
Um terceiro assim fará
Mesmo tentando suprimir
É guerra que não posso ganhar
E quando o brilho se extinguir
Algo belo tomará o seu lugar
Barganha justa se dá agora
Dou-lhe dor de imediato
Sofrerá até a aurora em decorrência deste ato
Mas lhe poupo de mais tarde
Ter de pensar que um fogo arde
Não terás mais dor contínua
Será uma cicatriz cheia de lembranças
Mas acompanha a liberdade.
(Machado. Marco)
sexta-feira, 6 de janeiro de 2017
Contínuo
O ar que eu respiro
Cada trago de suspiro
Não é difícil de notar
Se você pudesse observar
Que nunca deixei de te amar
Mas existe uma cegueira
Provocada por ardores
Paixões, espinhos e flores
Que sempre acaba por me excluir da sua vida
E sempre me faz reviver a dor da sua partida
Sua ausência dói a todo momento, meu tormento
E nem mesmo a sua presença me traz algum fomento
Pois nem precisas de mim
Do modo como preciso apenas te olhar
Para ser capaz de aguentar
Todo o lixo que tenho à carregar
Não sou desejado em teus braços
Isso parte-me sempre ao meio
Pois está em todos os meus sonhos
Dou continuidade aos mais profundos devaneios
(Machado. Marco)