Jogral Sem Identidade

Jogral Sem Identidade

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Desalinho

Você não ouve ninguém
Não escuta quem te quer bem
Ignora todos os avisos
Entre fumos e sorrisos
Se propõe um ser completo
Você não espera por ninguém
Deixa para trás para ir além 
Despreza o que desconsidera
Finge não saber do que se trata
O seu olhar foca quando tem opinião a dar
Mas para ouvir se desviam para o celular
Você sofre ao procurar o que parece não existir
Mas se encontra, você é o primeiro a fugir
Vislumbra o raso de toda alma
Mas se ela se abre você se afasta
Eis aí sua sina por viver de abstração
Vai curtir os bons momentos
Enquanto foge da compreensão
Não é possível ser sozinho
Como quando julga o seu vizinho
Todo mundo precisa de carinho
Quando entender esse detalhe
Talvez desate o desalinho
(MACHADO. Marco)

terça-feira, 2 de agosto de 2022

Refém do desamor

Você me teve fácil demais
Ao ponto de não me dar nenhum valor
Se desfez de mim como se joga fora uma meia velha e furada
Sempre disposto a me ferir mais uma cutilada 
Fazendo discurso de que o que eu sinto por você te cansa
A fuga foi o meu instinto, mas eu corro e é você que me alcança 
O que eu não esperava era que você ainda queria mais de mim
Eu tentei fugir da dor de te doar um coração do qual você não faz questão
Você então me seguiu, querendo prolongar a minha humilhação
Encheu o meu refúgio de amor, deixando pra mim só a lembrança do teu rancor
E você não se cansou, preservou o silêncio doloroso
Me cortando a cada vez que vê meu olhar esperançoso 
Eu queria que o tempo pudesse me curar mas você não permitiu, veio pra me torturar com sua magia vil
Eu sou então refém do desamor e não simplesmente um não amado
Sinto tua risada ao me ver sofrendo do teu lado
E então veio você, com brilho nos olhos me contar como é se apaixonar, como quem pensou exatamente o que falar
Me dilacerando deliberadamente pois sabe exatamente como eu me sinto
Sem palavras ao vento, eu sei que sabe pois eu mesmo te falei, quando achei que guardar segredos era algo que jamais se poderia confundir com o amor
Mas você fez de mim o teu escárnio, um objeto pra afagar a vaidade do teu ego
Eu não recebo nada em troca, pois assim é ser escravo, você apenas se mantém vivo no meu peito com afagos esporádicos, me confundindo sem palavras
Uma magia torpe que me prende, me perde e me confunde, assim como te agrada
Mas eu escuto uma voz além
Que me diz que isso é um erro
Te permitir na minha vida é um erro
Te esperar, uma indecisão
Sem você tudo é solidão
Mas com você tudo se torna apreensão
Transformou meu amor em medo
Minha alegria virou ansiedade
Matou o sonho que eu tinha nessa cidade
Tirou o brilho dos meus olhos quando fez do que eu tinha de mais puro, um brinquedo pra tua maldade
Escasso é o tempo de afeto
Antes era a melhor parte do meu dia
Agora dói quando está perto
(MACHADO. Marco)