Jogral Sem Identidade

Jogral Sem Identidade

terça-feira, 30 de julho de 2019

Incompleto

Foi e não volta mais
Com sua sede de ganhar o mundo
E não pensou nem por um segundo
Que a escada que te leva
É o braço que te segura
Que nada conta nessa selva
Sem a erva que te cura
Tudo vai e você fica
Uma fala, um olhar ou um abraço
Só por ser você complica
Freud explica!
Como vai viver sem mim, sem ela ou sem ninguém?
Não pode e me trata com desdém
Teu amigo e teu cumplíce
Agora quer que te suplique
Seja o amor que me inferiu
Já és o machado que me partiu
O mundo pouca culpa tem
Do profundo que te fez refém
Meu sorriso mais sincero não compra tua miséria
Te desfaço em ócio por não ser tua matéria
Não sei ainda o que te falta
Mas queria descobrir
Pois o que te falta é o que me mata
É o único incompleto que não pode rir.
(MACHADO. Marco)

Campo Minado

Você que é o calor e o frio
Se alternando em desmedidas
De facetas mais de mil
Confundindo nossas vidas
É e não mais logo depois
Vá! Deixe me entrar porque aqui fora é dor que não vai se acabar
No dia mais frio sinto teu acalento
Nos de calor me mata por dentro
Sem derramar uma lágrima cristaliza-me por querer
enquanto doa tua vida em outra esquina
Em outro cigarro, em outra menina
Em outro dia sem viver.
Que fazes pensar que sou teu bomerangue?
Teu destilado tem o sabor do meu sangue
Me quer e depois me jogar fora
Por saber que voltarei pra ti a qualquer hora
Atina a dor dessa lógica
Me dê o mundo à tua ótica
Antes mesmo de me receber
Já deu o adeus que fiz por merecer
Adeus então
Fique!
(MACHADO. Marco)

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Monólogo Sobre a Injustiça I

O que é injustiça? Como identificar a injustiça? Ela é constante ou relativa?
Eu vou morrer hoje. Fui sentenciado a morrer hoje.
Vou morrer hoje por ter matado alguém que não merecia ser morto por mim ontem.
Exceto que ontem eu não matei a pessoa que apodrece nesse exato momento aparentemente vítima do crime que eu não cometi.
Qual a medida da injustiça?
Os olhos serenos dele engariam a quem quer que fosse.
Mas sua boca seria incapaz de causar injustiça a quem quer que fosse... muito menos a mim, seu leal amante...  até o último suspiro e troca de olhares
Mas o que é a injustiça?
Outras bocas me desejam a justiça
"Que se faça justiça sobre esse preto desgraçado"
O martelo da justiça se projeta sobre mim e eu vou morrer hoje
Terá sido injusto roubar-lhe o último beijo antes que a asfixia lhe roubasse o último suspiro?
Não que isso me importe, pff... "o que significa justiça?"...
Eu vou morrer hoje.

(MACHADO. Marco)

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Amor e Crime

Não lhe direi para que tenha coragem
Eu sinto medo e estou à margem
Dor e ódio de mim mesmo
Culpo o amor por andar a esmo
Tristeza e desespero sentimentos sem fim
Por nunca poder lhe dar o melhor que há em mim
A que demônio sela a paixão?
Ou se apossessa meu coração
Já se tornou uma prática tão normal
Alvejar o teu amante tão leal
Já teu assassino não mais perto de vulgar
Beija-te o menino e em seus braços de pecado a embalar
Que coragem se nos resta para dar-se ao amor?
Enche os olhos a miragem dessa festa  em tal calor
E direi como teu pincel em folha
"Ora, ora mas que boa escolha"
Depois disso não há mais o que perder
Se qualquer valor não vai preencher o vazio de não ter o meu motivo de viver
Ah meu coração desata a chorar
Cometi o mais vil crime de amar
Fui condenado a pena máxima
Por ter deixado você me matar
(MACHADO. Marco)

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Jardim Dos Afogados

Um aperto no peito
Tão jovem quanto eu
Quando penso em você
Deito em meu leito
Só vem olhos seus
Me sinto morrer
Tanta vida lá fora
Tantos motivos
Mas estou preso
Onde voce mora
Entre os mortos-vivos
Quatro dias são nada
Sem seu perfume de flor
Viro jardim sem cor
Sinto no peito a facada
Hoje não mais me abalo
Se o amor pisa no meu calo
Sinto medo no jardim
Dessa flor eu quebro o talo
Entre ir e não ir
Ainda não cansei de sentir
Sei que não sou feliz
Mas ainda consigo sorrir.
(MACHADO. Marco)

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Talismã

Se o sol não brilhar amanhã
A lua terá sido a guardiã
Fez da noite a memória no meu talismã
Aquecerá mais que qualquer peça de lã
Tão mais doce que qualquer romã
No caminho sob sua luz estrelada
Passo lento mente alada
Tão sozinha e tão calada
Voa longe e desacompanhada
Volta aos raios mais intensos
As bebidas mais baratas
Os abraços mais sinceros
Os sorrisos mais imensos
E depois de cada refeição
Um cigarro neblina o coração
Trazendo à tona a roda viva
Da luz que escuridão me priva
Hoje não são mais do que memórias
Registros eternos daquelas histórias.
(MACHADO. Marco)

Ao Meu Amigo: Leão Marinho

Leão Marinho
Você é meu amiguinho
E seu macarrão
É até bem gostosinho
Leão Marinho
Você é meu amiguinho
A gente faz o rock
Você bola um fininho
Leão Marinho
Você é meu amiguinho
E se você ficar pra baixo
Eu também fico tristinho
Leão Marinho
Você é meu amiguinho
A gente compra as drogas
Pra ninguém usar sozinho
Leão Marinho
Gostamos daquela mulher
E não por causa do vinho
Leão Marinho
Você meu amiguinho
E por mim nós fumaríamos
Até o final desse caminho.
(MACHADO. Marco)

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Procura-se Novo Amor

Vou procurar um novo amor
Pra esquecer a dor que você me causou
Um novo amor vou procurar
Pra sentir essa saudade acalmar
Vou procurar um amor novo
Pois no seu coração eu sou estorvo
O amor de novo procurar eu vou
Pois me perdi nos seus olhos e já não sei onde eu estou
Vou procurar um novo amor
E se por acaso eu encontrar
Vou a ele, completamente me entregar
Um novo amor vou procurar
E se me bater saudade de você
Que não era amor eu vou saber
Vou procurar um amor novo
E se ele me lembrar do seu sorriso
Não vou mais considerar o paraíso
O amor de novo procurar eu vou
E se acaso eu não encontrar
Voltarei a amar o seu olhar
Mas te prometo meu bem
Por causa do seu desdém
Vou procurar um novo amor.
(MACHADO. Marco)

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Se

Mais um ponto fictício nessa colcha de retalhos
Mais um passo ao precipício, paraíso de entalhos
Falta ar durante a queda
Falta chão no baque seco
Se pudesse recriar acordos, qual você recriaria?
Por tantas regras se sentir tamanha porcaria
Não somos libertos dos próprios desejos
E não há pior prisão sempre pronta à seus ensejos
Todas as possibilidades se anulam de uma vez
Todas formas de amar acumulam invalidez
Se a dor não fosse consequência, como seria a sua vida?
Talvez igual em penitência, talvez gostasse da partida
O conhecimento é realmente uma faca de dois gumes
Fere e cauteriza em uníssono
E se você pudesse ser feliz plenamente
Mentiria ser quem foi previamente?
Seus lábios contam histórias
O seu corpo nunca mente
(MACHADO. Marco)

terça-feira, 9 de julho de 2019

Chuva de Desencontros

Te encontro na escadaria escaldante ao sol de meio dia
Sinto teu cheio nas páginas dos livros que devoro com uma rapidez libidinosa
Vejo você passar pelas ruas deixando rastros de amargura
Me apego à pratica de repetir seu nome pra mim mesmo na isolada segurança do meu quarto de retalhos
Retalhos de sonhos abandonados, porém nunca esquecidos
Jazendo sob a sola dos meus pés cada vez que me levanto da cama me esforçando para não ceder ao desespero e conseguir pegar um copo d'agua na cozinha.
Cada vez que te repito o meu peito incha como um baiacu amedrontado, não se contendo em si por estar tão apertado.
E quando o mundo se encaixa em sua órbita você me surge como o sol
Sorridente, solitário sol nascente
Minha garganta arranha e asfixia ao engolir todas as juras de amor que fiz ti quando fui ao inferno.
E quado você falou eu fui Amélia
Quando você chorou fui sal
Quando você ficou eu tive de partir
Partiu meu coração ver você ali
Porque quando vi você eu me apaixonei.
(MACHADO. Marco)

O Final da Luz

As memórias doces precedem as sombras eternas do final do entardecer
Depois dela só me presto às esperanças mortas do que nunca pôde ser
A paisagem gradeada me remete a esse bem querer
E que mais há, nesse oceano de saudade, que me lembra alguém que não você?
Me vejo um tolo, um jovem tolo que ocupa os devaneios mais sinceros com promessas de amor eterno
Mas que ambição me restará frente a razão que me propõe realidade?
Não há embate real nessa ilusão em que se envolve a mocidade
O que me sobra são estes maços de cigarros me embalando o pensamento
Pra viver o amanhã, hoje, em noite de crime, amarro forte o sentimento
Os dias continuarão a passar nessa triste monotonia, tenho certeza
E eu permanecerei dançando essa dilacerante cacofonia, minha tristeza.
(MACHADO. Marco)

segunda-feira, 8 de julho de 2019

O Baile das Máscaras Abertas

Que tragédia sobre mim se abate
Abraço-a para que me mate
Pura verdade, a quem afetaste?
Os meus olhos denunciam teu contraste
Assim fecho-os aos que podem ver
Decido que nem eu e nem ninguém deve me ter
Mesmo que assim ja tenha
Sou mesmo tão incontrolável quanto as brasas de um fogão a lenha
Mas que poderosa arma vil
A mais fatal dentre outras mil
Me entregou e me despiu
Mas meu grito de socorro ninguém ouviu
Aqui jaz minha esperança
Morta jovem como uma criança
Que é destruída aos beijos e abraços pelo ritmo da dança
Seu vazio é preenchido de imagens
Pinturas, memórias e paisagens
Sem se ver assim o transbordar de suas margens
Afogado no oceano daquelas viagens
O golpe final é ainda mais sangrento
Mascara sutilmente o desespero violento
Voltemos então aos beijos, abraços e aos sabores soberbos da ambrosia
Transformando toda dor em poesia.
(MACHADO. Marco)

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Suspensão

Abandonei o que sinto e não deixei de sentir
Apenas não posso evitar enquanto eu existir
O troco uma troca injusta há de vir
A moeda que não suprimiu o que eu quis suprimir
Existe no hoje, no amanhã e no ontem
Existe para sempre, por mais que me desmontem
E como um segredo vergonhoso será
Por mais que eles demonstrem
Não me sinto em estupor
Não é novo todo e qualquer horror
Por milênios a fio
Danço a valsa dessa dor
De cá nem quero nada
Conheço o fim dessa estrada
De cá só quero a escuridão
Nela recrio o melhor da solidão
(MACHADO. Marco)

segunda-feira, 1 de julho de 2019

A Última Parte de Ti

Me perdi entre o teu espírito e o meu
Efeito de um vinho barato que ninguem me prometeu
Eu viajei por entre mundos e estrelas
E em nenhum deles eu vi o sorriso que só você me deu
Que angústia é te ver assim tão longe
Se tanto te procuro e não sei onde
Numa casa cheia de desejos
Ou no templo de algum monge
Tuas linhas desembaraçadas viverão no meu pescoço
Da lembrança do enlaço desse moço
Das palavras que acalmavam qualquer tipo de alvoroço
Por elas vivo, canto, vivo e torço
Mas que sina me tens nessa espera nada terna
Se sei que esse coração não é mais que assunto de taverna
Êxtase utópico de uma primevera eterna
Mas nem assim esqueço o cheiro doce
Que poder tem sobre mim quem quer que fosse?
Nao dissocia minha mente a tua tez
Dou a vida para ter mais uma vez.
Não sei quanto de ti um dia mereci
Meu tesouro e minha tragédia
Eu nunca te esqueci.
Eu nunca te esqueci.
(MACHADO. Marco)