Jogral Sem Identidade

Jogral Sem Identidade

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Resistência

Existir não é mais que resistir ao irresistível deixar de existir
Idéia essa que me atrai em cada átomo
Mas por que então me apego tão firmemente a essa dolorosa existência?
Seria esse masoquismo assim tão sedutor que nem mesmo minha razão é capaz de contraria-lo? Ou talvez o medo de perder o que nunca tive a intenção de conquistar mas ainda assim o fiz!?
Seja qual for o motivo que a sanidade me impede de discernir, faz com que eu continue considerando toda a dor que preenche o vazio que sinto quando me ponho a contemplar o meu existir.
Mesmo não acreditando que seja de todo a dor que causaria aos que estão à minha volta motivo para deixa-los, pois tão logo eu não estaria apto a sentir a dor que causaria, ainda assim parece-me que por hora não tenho coragem o suficiente para faze-lo
O que tenho até então além dá dor de amar erroneamente é a dor de não amar aqueles que não são culpados.
Mas como posso eu falar tanto do amor e da sua ausência sendo que sinto que nem mesmo o conheço?
O que quero então é acreditar que o amor é o oposto do que sinto pois é de senso comum dizer que ele, o amor, é belo e tão bom que torna tudo tão bonito aos olhos de quem o sente que emana e contagia aqueles à quem se aproxima.
Então sim, ele, o amor, é ausente em mim, e quem sabe seja pela esperança de conhecê-lo e sentir que não é apenas uma linda utopia que ainda resisto àquela que aguardo.
(Machado. Marco)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

O Peso da Ausência

O cansaço me distrai
Na conformidade da dor
Na ausência do amor
Por tanto tempo observando
Acreditando e esperando
É possível ver agora que tudo o que fiz foi sentar e ver o tempo passando
E não como querem que eu acredite:
Belo, calmo e indolor
Mas pesado, selvagem, incansável e com notas de rancor
Não sinto falta da sobriedade
Mas talvez eu queira conhecer a saciedade
Pois cansei de engasgar por unanimidade
No amargo sumo da brevidade
Mas não há que me acompanhe para longe da cidade
Qual seria então a distância para longe da maldade?
Um passo ou uma eternidade?
O ar hoje está pesado
Frio, seco e assolador
Ele trás lembranças do passado
E este não me traz nada senão dor
Do que me esforço a não lembrar
Tanto que as vezes desisto de tentar
E fico cabisbaixo por aceitar
Que dificilmente algo vai mudar
A esperança é uma grande farsa
Mas só nos resta acreditar nessa mentira
Ou tudo mais cairia em desgraça
E tudo pelo qual ainda vale viver simplesmente ruiria.
(Machado. Marco)

sábado, 17 de dezembro de 2016

Vazio

Que lindo ensejo onde pairo consciente dentro do meu próprio vazio para conceber que este é um espaço onde muito posso armazenar.
Porém me questiono sobre o que realmente tenho pra guardar visto que não me convém faze-lo à algo que usitar não vou ou mesmo algo do qual me desfarei posteriormente ou ainda que esse algo sei que me será tirado.
De algum modo existe esse ciclo vicioso em que o vão antes de cada prelúdio sempre precisará terminar como começou: Vazio.
(Machado. Marco)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Por quê

Eu queria ter respostas pra todas as perguntas que me vem à mente
O como e o porquê de eu existir se não por uma mera vontade dos meu pais de colocarem uma vida a mais para sentir a dor do mundo
Será que eles a sentiam?
Se sim, porquê me faz herdeiro?
Seria um escape ou algum tipo de canal onde eu sou o novo receptor de tristeza e solidão?
Eu gostaria de saber por que então, se estamos fadados a este plano, por que precisa ele ser tão triste e aterrador?
Eu queria saber por que a escuridão tanto me atrai se eu a temo!? Não faz nenhum sentido eu me sentir seguro quando na verdade estou engolfado em sua angústia.
Por que todos nós queremos ser livres se a liberdade custa tão caro e mesmo quando pensamos finalmente tê-la alcançado, encontramo-nos mais perdidos e presos do que jamais estivemos, mesmo que sob outros olhares muito mais que apenas filosóficos?
E por que infernos o amor é tão essencial para nós que vivemos ditos "racionais"? Por que sempre precisamos estar envolvidos com essa arma letal que vem de dentro e causa a maior destruição?
Será que amar é algo que se aprende?
Por que precisamos descobrir tanto, sozinhos e dilacerados?
Ah, eu queria ter respostas pra todas as perguntas que me vem à mente.
(MACHADO. Marco)

sábado, 10 de dezembro de 2016

Desencontro

Passagem ou carruagem
Quando você criou coragem
Quando me mostrou a sua imagem
Vivia a ânsia da viagem
Tocar-te o peito, labios e rosto
Segurar a tua mão
E no aconchego do teu corpo
Repousar meu coração
Sentia aproximar de mim
Tudo o que antes foi dito
Mais que euforia a explodir
Tudo expresso em meu grito
Você finalmente no horizonte
Ao atravessar aquela ponte
Com joelhos nem tão firmes
Como os do culpado de alguns crimes
Mas aquele doce universo
Na qual esteve imerso
Em outro plano aparecia
Para outro alguém não o teria
Quando mais não foi possível
Conceber o que é incrível
Peremptório rompimento
Os consumia em sentimento
Amores invertidos
Sentimentos ressentidos
Tudo aquilo que constrói
Nossos corações partidos
Aquela espera no olhar
Diz que está a esperar
O dia feito pelo amor
Em que vai ver você voltar
(Machado. Marco)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Sonhos Notívagos

Tenho sonhos perturbadores
Sonhos vívidos
Sonhos de morte
Vivenciando meus maiores temores
Estando entregue à própria sorte
Tenho medo desses sonhos
Pois não são apenas sonhos
Quando tenciono agir por medo de não faze-lo
Por fim do espírito afim de protege-lo
Como um soldado covarde que se esconde na trincheira
Enfurece-se e grita, sem eira nem beira
Mas se não na pira, este não atira
Assim como em meus sonhos
Sinto-os grandes e enfadonhos
E falta-me mais que apenas força para toca-los com a mão
Seria este coragem ou mais disposição
E até para tudo isto eu encontre a solução
Andarei admitindo a negação.
(Machado. Marco)

sábado, 3 de dezembro de 2016

Lento

Inconstante e perdido
Pedido cedido, plano mirabolante
Extenso e querido
Falho e ultrajante
Por onde passo
Lento e insignificante
Deixo no rastro
Figura e passo adiante
Como dor de parto
Em mim ou andante
Eu pinto na tela uma tragédia
Grande, triste, caos, régia
Sem mesmo pensar
Com apenas meus dedos
Tudo é claro e se dá
Venho falar dos meus medos
Pois já se ausenta baluarte
Já não tenho o todo
Mas apenas uma parte
Como posso ser incompleto?
De onde surge esse declive?
Se na forja fui repleto
Como falta o que não tive?