Pra ver meu sangue derramado voce ja confirmou presença
Ja que enxerga a prosperidade do país no final da minha existência
Que meus assassinos saibam que ainda respiro
O tiro no meu peito não calou a minha voz
Pois ela grita em unissono e com amor de todos nós
E que meus assassinos saibam que ainda respiro
E ja nas filas ascendentes da miséria
Teu soslaio corruptível de ódio ainda impera
Mas nenhum passo para tras me coage a fera
Que meus assassinos saibam que ainda respiro
Meu direito a vida foi roubado
Contestado, problematizado e relativizado
O perigo em que habito foi justificado
Mas isso tampouco me fará ficar calado
Por isso que meus assassinos saibam que ainda respiro
Por ora ou por aparelho
Embaçando minha imagem no espelho
Nem sentir a graça que tinha em vê-lo
São as forças que concebi ao descobrir por concebe-lo
As mesmas que pensei ter perdido ao pensar em perde-lo
Mas aos incautos a quem com palavras miro
Que meus assassinos saibam que ainda respiro
(Machado, Marco)
Jogral Sem Identidade
sexta-feira, 19 de outubro de 2018
Aos Meus Assassinos
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