O que foi que eu fiz?
onde é que eu vim parar?
tudo aquilo que eu não quis
pra voltar ao mesmo lugar
Os meus passos tortos
meu caminho tortuoso
sentimentos quase mortos
ainda mais impiedoso.
Quando eu acreditei
quando achei ter aprendido
quando me recuperei
me vi de novo consumido
de novo horizonte perdido
só restam agora essas paredes
amargas, foscas e claras
feito a frágil máscara que me amarra
quando enfim pensei que eu era livre
quando achei ser eu o senhor do sim e do não
o mesmo golpe de outrora
e me encontrei novamente na prisão.
O que me cerca agora são duros espinhos de pluma
odores rasos de uma espuma
a chuva rala se acostuma
me encontrar em meio a bruma
e eu mais uma vez despido
não me reconheço em coisa alguma
(MACHADO. Marco)
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