Jogral Sem Identidade

Jogral Sem Identidade

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Atlas

O que me dilacera não é o não
Nem mesmo o calor incandescente da paixão
É te ter todo esse carinho
Teu cantar livre passarinho
Mas eu não sou o final do seu caminho
Nosso voo não aterrisa o mesmo ninho
Teus olhos não me queimam sob o vinho
O suor que se une ao meu será lavado
Mas teu gosto passageiro é sagrado
O presente à mim não destinado
No lugar do beijo nunca roubado
Até que a morte nos separe ainda me tem
Para o mal ou improvável bem
Mas o que se transforma te pede um instante
Me espere na beira da estrada um instante
Eu ja volto pro teu lado
Pra caminhar de bom grado
Só preciso desse instante a sós
Pra aceitar que posso sim sorrir
Que posso sim amar saudável o meu amado.
(MACHADO. Marco)

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