Longínquo é o reino de onde remeto aos meus amores, trazidos pelo vento numa tentativa de me sentir vivo. Trouxera também um pouco do teu perfume que me atravessa o terceiro olho quando elevo meu espírito, parece que foi ontem que vi o teu sorriso tão próximo que eu poderia dizer a marca do teu creme dental, mas não parece tão recente, nem ao menos parece está vida, senão a de outro alguém, alguém que eu já fui e que jamais poderia ser, assim como nunca fui dele, nem ao menos meu.
A luz do sol brilhou incandescente sobre a minha pele, eu senti queimar, agora eu sinto o acalento de saber, que nada foi para ficar, agora eu vejo uma história se desenrolar, a qual eu escrevo em linhas confusas pra denunciar minha insanidade, os amores do passado se mostraram novamente, afinal de contas tudo é parte desse jogo, o amor não ficou pra trás em momento algum, mudou apenas de endereço pra que pudesse permanecer aqui por perto, mas quanto tempo eu levei pra o reconhecer? Sinceramente, ainda é parte do que não conheço, se é que um dia o conheci. Mas sei agora, vendo o sol se despedir de mim mais uma vez, que minha turva visão de sofredor me impediu de nota-lo antes, e agora me esforço para não permitir que a brisa fresca passe sem deixar notas da fragrância que sei que vou encontrar no teu pescoço.
(MACHADO. Marco)
Nenhum comentário:
Postar um comentário