O vi então no fundo do poço
cavando a procura de mais
à deriva a procura de um cais
por onde olho é onde estás
És o chão onde pisa
e a agua que lava
Quando em quando desliza
era o que lhe matava
foi quem disse não cheira, mas fede
só que agora nada o impede
Toma e sente o que nunca se mede
vil beleza que às outras excede
Sinto tanto entrar tão assim
como quem não queira nada de mim
E agora se banha na essência do amado
sem mostrar o sangue derramado
sem gritar à ele ao seu lado
sem passar ao mundo seu recado
E lá se foi novamente
como que por gosto do escárnio
segue o barco outra vez
depois de tudo o que fez
nem pensa e vai com rapidez
o vagido recobre sua tez
pois quando vê-se não é tão assaz
e condena energia voraz
por saber como é que se faz
vive a angústia e quer viver mais.
(MACHADO, Marco.)
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